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quinta-feira, 13 de maio de 2010

A 13 de Maio , em fátima


Fátima no Blog Espectro , de Vasco Pulido Valente e Constança Cunha e Sá

"Cem anos antes, em 1822, a causa realista fora reanimada por um milagre. A Virgem aparecera a duas pastorinhas em Carnide para lhes dizer que Portugal sobreviveria à impiedade maçónica. Sob o patrocínio de Dona Carlota Joaquina, grandes peregrinações se fizeram aos locais sagrados em que Deus garantira a dízima, os bens dos conventos e a perenidade do antigo regime. Infelizmente, uns meses depois um pronunciamento (a "Vilafrancada") acabou com esta devoção.
Em 1915 e 1916, os "pastorinhos" Lúcia de Jesus Santos, de 8 anos, e os seus primos, Jacinta e Francisco, de 7 e 5 anos, viram oito vezes, em várias freguesias de Fátima, um anjo que declarou ser o anjo de Portugal, estando evidentemente entendido que a República era demoníaca. Ao princípio, o anjo não era muito nítido e não dizia nada. Mas pouco a pouco foi-se explicando. Ninguém deu importância a estas visitas, normais em adolescentes e na pastorícia. Em 1917, as coisas correram de outra maneira. Entre Maio e Outubro, a Virgem apareceu quatro vezes a Lúcia, Francisco e Jacinta (agora respectivamente com 10, 9 e 7 anos), sempre no dia 13, sempre à mesma hora e sempre na Cova da Iria (excepto em Agosto, por motivos de que não vale a pena explicar aqui).

As relações das crianças com a Virgem variavam: Lúcia via, ouvia e falava; Jacinta via e ouvia, sem falar; e Francisco via, sem ouvir nem falar. Nunca se esclareceu a óbvia desconfiança da Virgem em Jacinta e, principalmente, em Francisco.

Lúcia e Jacinta receberam a "mensagem" do Céu, uma série de trivialidades evangélicas, com duas alusões à realidade, ambas sobre assuntos correntes. A Virgem comunicou, nomeadamente, que a II Guerra Mundial seria "horrível", quando o horror da primeira sufocava o país, e preveniu que a Rússia revolucionária se preparava para subverter o mundo, coisa que os jornais e os padres anunciavam dia sim, dia não, desde de Fevereiro.
As profecias, manifestamente corrigidas por quem de direito, resumiam as preocupações do conservadorismo indígena e reflectiam as opiniões e os sentimentos do clero, esmagado pela ditadura jacobina. Que Deus partilhasse as aflições dos inimigos da República era um fenómeno insusceptível de espantar os bem-pensantes e a Igreja portuguesa em 1917.

A fortuna posterior de Fátima deve muito à sobrevivência do regime até 1926 e à visão moderna da Virgem, que apareceu perto do Entroncamento, isto é, na confluência da vias férreas do centro e do norte do país. Tivesse ela aparecido em Tavira ou Bragança, dez anos mais tarde, nunca se teria sabido."

VPV

Para o Papa Bento 16 se ir entretendo enquanto está em Fátima

LN

A 13 de Maio

Orgia Literária - Na Cova dos Leões


Ontem na Feira do livro estive quase para comprar este Livro "Na Cova dos Leões", Tomás da Fonseca, Antígona, 2009.

Vou deixar uns excertos do livro que encontrei num artigo sobre o livro no Blog Orgia Literária.

" Na Cova dos Leões (1958) é uma compilação de cartas dirigidas ao então Patriarca de Lisboa Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira (excepto as cartas que compõem a “Primeira Parte” mais os capítulos “Fecho da Abóbada” e “Relatório do Administrador do Conselho de Ourém”).

É uma versão revista e aumentada de Fátima – Cartas ao Cardeal Cerejeira (1955), muito bem contextualizada através do “Prefácio” de Luís Filipe Torgal, da “Nota relativa aos critério de edição e de revisão do texto” à “Explicação Necessária” escrita pelo autor. Essa preocupação em contextualizar é também partilhada pelo autor, dedicando a isso as primeiras quatro partes do livro, rematando já na “Quinta Parte”, «Bem sei que tenho vindo a ensinar o pai-nosso ao vigário, que neste caso é V. Em.ª. Mas se tudo sabeis, e melhor que ninguém, não o sabe a grande maioria do povo português [...]» (p. 187).

Comecemos nós também por contextualizar: Tomás da Fonseca (1877-1968) não pretende fazer um ataque exclusivamente teológico à Igreja, os alvos declarados são os empresários de Fátima (referidos o Cónego Formigão, o Padre Ferreira e o Padre Lacerda). O caso agrava-se quando todo o “episódio” de Fátima (em todos os momentos: antes, durante e após a aparição) foi construído, orquestrado com objectivos bem traçados, afastando-se largamente de uma criação ex nihilo.

O que interessa ao autor é denunciar os problemas sociais que daí advêm, o contraste sócio-económico nítido, «E o Ídolo entrou no seu novo santuário, um dos mais, senão o mais rico da cidade, tanto é o ouro, a prata e os estofos preciosos que ali se exibem ao olhar deslumbrado dos que vivem sem conforto e sem pão, em lares que são tocas de bichos ou pocilgas.» (p. 292).

Tal como esta ambição do Clero: «Ao mesmo tempo que se violentava a consciência popular, preparavam-se, de longe e de largo, outros processos de obrigar as massas a mostrar que tinham fé. Já concorriam a Fátima milhares e milhares de “convictos”. Mas não era bastante. Reclamavam-se legiões.» (p. 268),

e nós tomando parte desse questionamento em que o autor se vê obrigado a dizer «E para quê? Em.ª, para quê? Avivaria a fé dos tíbios? Não avivou! Acrescentaria alguma coisa ao prestígio da Igreja? Não acrescentou nada! Contribuiria, ao menos, para melhorar as condições morais e materiais do povo de que foi proclamada soberana? Não contribuiu!» (p. 279).

Mais que os pormenores da encenação da aparição, mais que os interrogatórios forçados aos três pastorinhos, mais que as técnicas avançadas (para a altura) de marketing, é a “Sétima Parte – O Ídolo Itinerante”, um dos capítulos mais interessantes do livro, talvez por nos presentear com episódios que o tempo omitiu e esqueceu, e tudo num estilo de relato literário, ao nível do que agora se nomeia de narrativa jornalística ou jornalismo literário.

As cartas são dirigidas ao Patriarca de Lisboa porque ele «Sabe, e não quer pôr cobro a semelhante malvadez – para não dizer indignidade –, como a Cova da Iria tem enriquecido alguns e empobrecido tantos!» (.p 368).

Como que dirigidas ao Pai, comunicando as injustiças (quando ele tem conhecimento delas) na tentativa de as ver resolvidas, «Cruzes de madeira ou cruzes de ferro são hoje, não símbolos de amor, piedade e redenção, mas chuços com que certos missionários ameaçam os que não se lhes ajoelharem aos pés, nos confessionários, onde se inculcam como verdadeiros e únicos enviados de Deus.» (p. 38).

Na Cova dos Leões é uma lança apontada à armadura mais poderosa da Igreja: o Temor.

Fátima está longe de ser considerada assunto velho, acabado. Afirmar isso é tentar encobrir. O desejo de Tomás da Fonseca é que «Ninguém, pois, deixe alastrar a credulidade que facilmente degenera em superstição, sendo a mais perigosa a das “aparições” de agentes sobrenaturais. Venham donde vierem! Trazidas por um ignorante ou por um sábio, por um cardeal ou por um papa, neste ramo do maravilhoso, a autoridade é sempre a mesma. Combatê-la é, portanto, um sagrado dever moral e cívico!» (pp. 378-379). "

por Paulo Serra

Dedicado ao Papa Bento 16, para ir lendo na sua visita a Portugal.

LN