segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fotos ; parastasis

PARASTASIS:
Acto ou acção de abstrair uma imagem ou representação do invariável fluxo do tempo , em que o original e a sua réplica, por um momento, coexistem na mesma dimensão espacial e temporal.

Oxford Latin Dictionary,1856
"A Matemática do Amor"; Emma Darwin
Algumas fotografias do Blog Fotografares do Renato Monteiro

Fotos inesperadas: Padrão de circunferências pequeninas

Rosas do mar

O Ferry que passa

A ler para o rio

O céu e as árvores

LN

Uma frase com plúmbeo - sarau de poesia com cambalhotas (para a frente) -

pinta-se plúmbeo na noite

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Cuspir para o chão com estrondo em eco

peche pe che pe che pe che pe che pe che pe

"Eu vivo a sorrir"; nova música de Adriana Calcanhotto

Adriana Calcanhotto apresentaO Micróbio do Samba


Para ouvir o 1º Single "Eu vivo a sorrir" - Clique Aqui

Que boa música!!
LN

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Despedida"; José Manuel dos Santos

Búzios:palavras que nos ficam no ouvido

Despedida

Neste tempo megalómano e exibicionista, em que todos procuram uma insaciada autoestima e já não parece haver lugar para a subtileza, a compaixão e a cortesia, convém mantermos o sentido da memória e da medida. No próximo sábado - e por uma decisão que não foi minha - já não aparecerá aqui esta crónica semanal. Os que a procurarem encontrarão, em vez dela, uma ausência que lhes dirá a gratidão por estes anos em que olhámos as ilusões e as desilusões de um tempo que não começou ontem nem terminará amanhã. Tudo vem de mais longe e vai para mais longe do que suspeitam aqueles para quem a origem do mundo está na data do seu nascimento. A todos os que se tornaram meus leitores - e alguns, por isso, leitores do Expresso - entrego o meu reconhecimento com uma mão que acena, sabendo que uma despedida pode não ser um fim. As palavras que acabam são como os mortos que não morrem nos fantasmas em que vivem para inquietar os vivos.

Nestas crónicas, falei muito do que se fala pouco e falei pouco do que se fala muito. Falei do que é meu como se fosse dos outros e do que é dos outros como se fosse meu. Quis lembrar que, no mundo, não há só vencedores, pragmáticos, comunicadores, gestores, milionários, famosos, neoliberais, conformistas, contentinhos, poder, ruído, multidões, mais-valias, televisões, best sellers, condomínios fechados. Que há também vencidos, tímidos, desempregados, imigrantes, pobres, vagabundos, mendigos, doidos, poetas, idealistas, rebeldes, doentes, velhos, melancólicos, anarquistas, liberdade, silêncio, solidão, sabedoria, tiragens pequenas, bairros populares. Fiz da indignação uma serenidade. Recusei a crueldade que usa a máscara da eficácia. Tentei, em vez da rapidez de uma opinião, a lentidão de um pensamento. Procurei falar de uma grandeza que dá ao homem o direito a usar um nome que não o envergonhe. E sei bem de que grandeza falo, pois encontro-a nas palavras de Albert Camus: "No segredo do meu coração não me sinto em estado de humildade senão perante as vidas mais pobres ou as grandes aventuras do espírito humano. Entre as duas, encontra-se hoje uma sociedade que dá vontade de rir."

Este é o mundo que fez de "A Sociedade do Espectáculo" (Guy Debord) o seu livro de estilo: "Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção anuncia-se como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido afastou-se numa representação". Nele, o cronista é um Fernão Lopes da sua perplexidade. Hoje, o jornalismo vive sobre o abismo, e ter disso a incómoda consciência é prevenir a queda nele. Mas há os que desviam o olhar do chão que lhes foge debaixo dos pés, avançando numa fuga para a frente de que ficará apenas o rasto de um desastre que lhes parece um êxito.

Ganharíamos em conhecer melhor a geologia do jornalismo contemporâneo, esse poder-espetáculo que afirma tantas vezes a liberdade para melhor a negar. Lucraríamos em não ignorar o que está debaixo do terreno movediço onde ele firma a sua autoridade e sacraliza a sua missão. Seria útil analisarmos as condições em que o jornalismo produz o seu discurso de verdade, com que se justifica e enaltece, fundando uma teologia da qual é o deus menor. Seria bom avaliarmos a validade desse discurso e os efeitos da sua automitificação, da sua boa consciência, do seu conformismo irrequieto. Seria fundamental conhecermos os ímanes, visíveis e ocultos, que regem as atrações e repulsões no seu campo. Ficaríamos surpreendidos se alguém fizesse para a instituição jornalística o que Foucault fez para outras instituições e dispositivos de normalização social: a justiça penal, a clínica, o saber, a psiquiatria, a sexualidade. Talvez as gerações futuras olhem um dia com horror a mistura explosiva de cinismo e violência, avidez e leviandade, sobranceria e perversidade com que nos olhámos no mundo.

Neste tempo megalómano e exibicionista, em que todos procuram uma insaciada autoestima e já não parece haver lugar para a subtileza, a compaixão e a cortesia, convém mantermos o sentido da memória e da medida. Sempre soube que, em mim, para cada abundância há uma escassez. Aprendi cedo a admirar o que é grande e os que são grandes (mesmo que tenham vivido no século V antes de Cristo) para não reconhecer logo o que é pequeno. E o que vejo por aí é uma pequenez alucinada e convencida da sua grandeza inexistente. Por isso, não há melhores palavras para dizer este tempo e este modo do que as que Lampedusa deu ao príncipe de Salina: "Nós fomos os Leopardos, os Leões; os que vêm são os chacais, as hienas." É com o sangue dos outros que eles alimentam a vaidade que lhes impede de ver a vulgaridade e o vazio que os faz ser o que são.

Agora, olho o céu e a sua luz desfeita. Há um raio que entra e cai sobre a capa de um velho livro onde se fala do "amor que move o sol e as outras estrelas". E isso torna a minha vida feliz.

(Dedico esta última crónica ao Henrique Monteiro e ao Fernando Diogo, que me convidaram a escrever no Expresso).

José Manuel dos Santos

colaborador regular do "Atual"

Texto publicado na revista Atual



Que pena e que tristeza,
o jornal Expresso, agora para ler, só tem mesmo a Economia com o Nicolau Santos
LN

Poesia do Lodo

A Sé está deserta. O lajedo está húmido.

"Obrigada"; Inês Pedrosa


Sem leitores não existiriam cronistas - nem jornais. Tive a sorte de encontrar leitores atentos e exigentes. Agradeço tanto aos que me levantaram o ânimo em momentos de especial cansaço ou desalento como aos que me espicaçaram as meninges, fustigando-me com críticas ferozes - e até, por duas vezes, processos judiciais. A condição de arguida é, aliás, muito útil para quem, como eu, tem como principal objectivo de vida o entendimento profundo da natureza humana.

Procurei pensar sobre cada tema, fosse ele a guerra no Médio Oriente ou a tragédia eterna da violência dita 'doméstica', a política cultural ou o trabalho infantil, como se tivesse aterrado de Sirius (isto dizia Augusto Abelaira sobre o seu método de cronista) e olhasse para este mundo pela primeira vez - ou seja, sem um programa de pensamento prévio encaixado numa cartilha. Acreditei sempre que o risco, mais do que provável, de errar é muito menos grave do que o erro de comprar, alugar ou roubar um pensamento já feito. Nunca tive a pretensão da imparcialidade - todos somos parte de alguma coisa, em qualquer situação; apenas procurei a justeza, isto é, a compreensão ou compaixão, no sentido de partilha da paixão alheia. Com Maria Antónia Palla, jornalista e figura humana de invulgar grandeza, aprendi a descascar a realidade a partir das histórias individuais. Da atenção ao particular nasce o respeito, e tudo é particular e íntimo antes de ser comum e político. Não aceito a distinção entre os 'temas fracturantes' e os outros, ditos 'sérios'; entendo a dicotomia como uma forma de ditadura particularmente castradora.

Walter Galvani, escritor brasileiro, resumiu o labor da crónica nesta imagem exacta: "Ofício de cronista é como voo de gaivota, rente às ondas, até o ponto e a hora de fisgar o peixe. E então vem o difícil: voar mais e mais, sem deixá-lo cair." As palavras são instrumentos de voo. Instrumentos sensíveis e precisos, que não resistem à ferrugem do medo ou da falsidade. Pensar é perigoso - e pensar em público, semana após semana, mais perigoso ainda: cria uma corrente de ar que desloca as ideias instaladas. Sem perigo não há liberdade. Sou muito mais livre do que era quando aqui cheguei. A gratidão que sinto por todos aqueles - conhecidos ou desconhecidos, amigos ou inimigos - que me arejaram o cérebro ao longo deste trajecto não tem medida. Ter tanto e tantos a quem agradecer é a melhor aproximação que conheço à felicidade. Obrigada.

InÊS Pedrosa;
última Crónica do Expresso ; Fevereiro 2011

Obrigado Inês, de um leitor

LN

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aberturas de Rossini

Gulielmo Tell e4 La Gazza Ladra cc3 Semiramide d3