terça-feira, 3 de abril de 2012
Manifestação de poetas gregos
Há dias havia neve ao longe, hoje é 21 de Março. As colinas de Atenas estão cheias de giestas e papoilas. Tinha-me esquecido disto, a Primavera.
Estamos numa das avenidas que vai dar à praça Syntagma, onde há 150 anos se concentram os protestos de Atenas.
Um dos primeiros cartazes da manhã diz:
"Escrevemos para existir"
Então foi para isso que vim a Atenas , ver como os poetas fazem a cidade, parando o trânsito diante da policia de choque, unida em forma de carapaça para bloquear o acesso ao parlamento.
"Deixei a minha vida como um deserto para que me possam ver de toda a parte"
"Estamos vivos, Resistimos"
"Quando já não tivermos sangue, então começará o poema"
"É o sonho que não me deixa dormir"
Os nossos slogans são versos e isso significa que defendemos a cultura como fundamental, que esta crise não é apenas económica, social e política, mas cultural, ética - diz o poeta Yiorgus Chouliaras, organizador. Temos de trazer para a frente as forças criativas. A Poesia é uma forma de fazer as coisas e sem a poesia não poderemos atravessar a crise, não saberemos quem somos. Este protesto também muda a forma como as pessoas vêem os gregos. Escrevemos os poemas individualmente, mas não podemos estar nas nossas torres de marfim, não podemos ser autistas, porque a linguagem é colectiva, pertence às pessoas. A poesia pode ser um antídoto para a crise.
A ideia veio quando estavam a discutir o que fazer no dia internacional da Poesia, 21 Março.
- Se não fizermos o nosso futuro, outros o farão por nós. Se não fizermos poesia, outros escreverão o nosso poema.
Alexandra Lucas Coelho
Público , 1 Abril 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Havemos de engordar juntos.
As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência.
Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.
Havemos de engordar juntos.
Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.
Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.Nós acreditávamos.Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.
José Luís Peixoto , in revista Visão (Janeiro, 2012)
Retirado do site de José Luís Peixoto
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A semana em que o país se viu ao espelho e não gostou (2)
2.
Enquanto os casos EDP e Águas de Portugal aconteciam, o secretário de Estado da Segurança Social , Marco António Costa, prometia mão pesada sobre todos os que haviam recebido subsídios indevidos do Estado , obrigando-os a repô-los imediatamente. É óbvio - e já foi feito por anteriores governos até com bastante sucesso - que é preciso combater todos os abusos. Mas basta reunir meia dúzia de pequenas histórias publicados pelos jornais sobre os "abusadores" para verificar aquilo que já se suspeitava: primeiro que, na sua maioria, os subsídios indevidamente recebidos são de tão pequena monta que só fazem mesmo diferença para gente que vive grandes dificuldades; segundo, que muitas vezes se deveram mais à crónica ineficiência dos serviços públicos do que a uma deliberada vontade de enganar. A devolução atingirá os mais fracos - independentemente das razões para os abusos. Entre o salário milionário de Eduardo Catroga ou de Celeste Cardona e os 97 euros recebidos indevidamente por uma família com rendimentos de 1000 euros, há algo de verdadeiramente chocante. Marco António pode até ter a melhor das intenções. Escolheu o pior momento possível.
Somos o país mais desigual da União Europeia (por razões que se prendem também com a herança do regime anterior). Somos aquele em que , seguindo um estudo da Comissão , os sacrificios impostos pela austeridade atingem mais os mais pobres e menos os mais ricos. Vemos o desemprego a subir e tememos pelo nosso posto de trabalho - sejamos ou não competentes naquilo que fazemos. A competitividade da economia está a ser ganha à custa das transferências de rendimentos das pessoas para as empresas. O mínimo que se exigia era alguma decência e, sobretudo, alguma coerência de quem nos governa.
Mas infelizmente o triste retrato do país a que tivemos direito nestes últimos dias ainda não acab aqui. O caso da Loja Mozart foi uma espécie de pequena história exemplar sobre como se tecem redes de influência para garantir carreiras seguras. As regalias dos funcionários do Banco de Portugal contam-nos outra história, com a qual já estamos todos mais ou menos famialiarizados, segundo a qual há imensa gente excepcional e insubstituivel para o bom andamento da nação que, obviamente, terá de ficar de fora dos sacrifícios exigidos aos pobres e vulgares mortais. Não sei quantos funcionários tem o banco. Mas tenho a certeza de que não são todos alvo de cobiça de instituições privadas, à espreita de uma oportunidade para lá ir buscá-los com salários muito mais gordos. Nem ninguém pode acreditar que o banco central apenas tem condições para exercer as suas funções com a devida independência, se os seus funcionários ficarem imunes aos cortes aplicados aos outros.
O Problema é que se desenvolveu em Portugal uma ideia absolutamente degradada do que é servir o país. Servir o país passou a só fazer sentido, se isso equivaler a uma compensação - um cargo, uma posição, um salário , uma pequena, média ou grande vantagem. Ora, a ideia de serviço público, seja ela no Parlamento, nos partidos, no Banco de Portugal ou na mais modesta das comunidades, implica precisamente o contrário: prestar um serviço à comunidade sem qualquer compensação ou com sacrifício de uma situação pessoal mais confortável.
É esta ideia que é preciso regenerar.
Nenhum país atravessa uma situação como aquela que estamos a viver sem o mínimo de equidade e sem um mínimo de sentimento de pertença. Perceber os partidos como agentes de distribuição de vantagens pelas clientelas, as maçonarias como redes de influência, os que estão melhor (por mérito próprio ou alheio) apenas interessados em preservar as suas vantagens é meio caminho andado para o desastre.
O outro meio é a Europa. E sobre ela as notícias também não são animadoras.
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Lá vamos nós outra vez
Podemos acusá-las de tudo e mais alguma coisa, tecer várias teorias da conspiração, acreditar que tudo estava finalmente a correr no melhor dos mundos para vencer a crise europeia e que elas vieram de novo estragar tudo, que isso de nada servirá. A descida generalizada dos ratings de vários países do euro decidida na sexta-feira pela Standard & Poor's terá consequências pesadas. Os investidores exigirão juros mais altos para emprestar dinheiro aos países que viram a sua nota degradada - da França a Portugal. O Fundo de Estabililização Financeira (FEEF) terá mais dificuldade em financiar-se nos mercados para financiar os países intervencionados ou a intervencionar. A França representava 20,4 por cento do fundo, que ficará agora sobretudo garantido pela Alemanha. Em Berlim vão voltar a fazer-se contas sobre a viabilidade do euro ou as suas vantagens. E , em Paris, as consequências políticas da perda do triplo A são absolutamente imprevisíveis. Nicolas Sarcozy está a 100 dias de eleições presidenciais. Em Outubro tinha dito aos seus colaboradores mais próximos que a perda do triplo A seria fatal para a sua reeleição.A sua estratégia eleitoral era provar que só ele conseguia que a França fosse igual à Alemanha, mesmo na gestão da economia. Era a melhor forma de vender a austeridade inevitável - o preço do orgulho nacional. O que fará agora ninguém sabe. A incerteza europeia aumentará nos próximos tempos e, de certeza, a gestão da crise da divída ficará refém das eleições francesas.
A questão é se a culpa é das agências de rating ou da infinita capacidade da Europa de provar a sua ineficácia e a sua capacidade de autodestruição.
-
Teresa de Sousa
Jornal "Público", 15 Janeiro de 2012
A semana em que o país se viu ao espelho e não gostou
1.
O Problema não é tanto o primeiro-ministro querer fazer de nós tolos, quando afiança que o seu Governo e os partidos que o sustentam não tiveram absolutamente nada a ver com as nomeações para o conselho de supervisão da EDP. Ou quando resolve enveredar por longas explicações sobre a necessidade de envolver as autarquias na gestão das Águas de Portugal, para justificar mais duas nomeações lamentáveis a olho nu. Sobre isso não há nada a dizer a não ser . talvez . lembrar ao primeiro-ministro que a maioria das pessoas não é tola e que muito pouca gente acreditará na estranha coincidência de os accionistas privados da EDP terem descoberto em simultâneo a excelência dos amigos políticos dos partidos do Governo. É triste, quase patético, ver Eduardo Catroga , certamente uma pessoa competente e com uma carreira nos negócios, zurzir furiosamente no engenheiro Sócrates para chegar à clarividência da sua escolha para presidir ao dito conselho ou sentir a necessidade de dizer que nem sequer é do PSD. Pior , mesmo, só o minstro de Estado Paulo Portas admitir uma atitude "xenófoba" de Lisboa contra as boas gentes do Norte para justificar as críticas à escolha de um filiado do seu partido , Álvaro Castelo-Branco, para a dita empresa pública. Não lhe terá ocorrido uma palavra mais adequada? Preconceito, por exemplo? A sua falta de argumentos ficaria menos evidente.
O Problema - o primeiro - é que estas nomeações são uma enorme machadada na estratégia política que o Governo e o primeiro-ministro nos apresentaram para sairmos da tremenda crise que nos encontramos. Essa estratégia partia da ideia de aproveitar a crise para libertar o Estado da sua dupla função de "controleiro" da economia e de distribuidor de benesses. Por via das privatizações, por via da maior concorrência nos mercados de produtos e serviços, por via da maior flexibilidade dos factores de produção. A isto o primeiro-ministro chamou, ainda há poucos dias, a "democratização" da economia e foi louvado por muita gente. O seu liberalismo económico não resistiu muito tempo. O Estado intervém - na melhor das hipóteses para controlar uma empresa privada; na pior para compensar os amigos e os fiéis dos partidos eleitos para governar o país. Bastaram seis meses para matar as ilusões. No fundo, o que todos nós aperendemos na semana passada foi o seguinte: que o Estado continua a dominar a economia por via das decisões que toma ou não toma, das "facilidades" que cria ou não cria, dos sectores que protege ou não protege, e que qualquer grande empresa (ainda por cima estatal e chinesa) percebe imediatamente que convém agradar ao Estado para obter facilidades nos negócios, nomeando os seus rapazes.
O Problema - o segundo - é o momento em que Passos Coelho resolveu matar as ilusões. Justamente aquele em que lhe era proibido fazê-lo. Se já havia um largo e provavelmente inevitável sentimento de injustiça quanto à distribuição dos sacrifícios e uma fraca crença numa saída para a dose brutal de austeridade que não seja "a grega" , agora haverá muito mais. Ora , a mistura de descrença e sentimento de injustiça pode vir a revelar-se fatal no médio prazo. Nenhum país passa por aquilo que estamos a passar sem um forte sentimento de coesão social. Passos Coelho e o seu Governo desferiram-lhe um golpe severo. Numa semana que foi trágica no que respeita à percepção de como as coisas se fazem em Portugal, de quem está sempre a salvo das crises ou de quem acaba sempre por pagar o grosso da factura.
Teresa de Sousa
Público , 15 Janeiro 2012
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O Outro somos nós

Frei Bento Domingues
Frade da Ordem dos Dominicanos, teólogo, professor, escritor
Público, 31 de Julho de 2011
O outro somos nós
"
2.
Para quem pode, as férias são tempo de viagens, da ilusão do encontro com o outro. Hoje, já não é preciso viajar para encontrar as mais diversas gentes. José Augusto introduz o seu texto com um fragmento da Ode Marítima, de Álvaro de Campos:
“
As viagens, os viajantes – tantas espécies deles!
Tanta nacionalidade sobre o mundo! Tanta profissão!
Tanta gente!
Tanto destino diverso que se pode dar à vida,
À vida, afinal, no fundo sempre, sempre a mesma!
Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.
A fraternidade afinal não é uma ideia revolucionária.
É uma coisa que a gente aprende pela vida fora, onde tem que tolerar tudo
E passa a achar graça ao que tem de tolerar,
E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou!
Ah, tudo isto é belo, tudo isto é humano e anda ligado
Aos sentimentos humanos, tão conviventes e burgueses,
Tão complicadamente simples, tão metafisicamente tristes!
A vida flutuante, diversa, acaba por nos educar no humano.
Pobre gente! Pobre gente toda a gente! ”
Alain Badiou considera a Ode Marítima um dos maiores poemas do século XX. No entanto, para este filósofo é “impossível – e contudo real – que povos notoriamente orgulhosos da liberdade individual, da privacidade, dos direitos do cidadão e do homem, da singularidade e dos particularismos, se tenham transformado em pouquíssimo tempo numa massa de ovelhas, controlados, vigiados, espiados, monitorizados em toda a sua actividade através de uma tecnologia invasiva e lesiva da descrição e da delicadeza, tratados como malfeitores e terroristas potenciais, enlatados em meios de transporte semelhantes a carne de animal, frustrados, presos e misturados com a má educação generalizada, vexados pelo software que não prevê excepções, obrigados a uma vida programada nos mínimos detalhes e que elimina qualquer experiência do poético, que não deixa espaço para a meditação e para a elaboração da experiência, submersos por um cúmulo de idiotice e por uma publicidade asfixiante”.
3.
Invocando direitos humanos inalienáveis, umas vezes reclamamos o reconhecimento da singularidade de cada pessoa contra todas as formas de massificação. Outras, exigimos sistemas de vigilância e segurança que não permitam a preparação e o desenvolvimento de programas de destruição, como o realizado na Noruega. A sabedoria das nações ainda não consegue compaginar esta dupla exigência e, também, não pode prescindir de a procurar simultaneamente.
Não há soluções definitivas. Não se pode impor a ninguém que se torne o guarda da dignidade do outro. Já conhecemos, no entanto, a diferença entre os frutos da cultura do ódio e da cultura do amor. Até Setembro. "
Textos de Frei Bento Domingues
Site Triplov - Frei Bento
terça-feira, 26 de julho de 2011
Stiglitz em Madrid
Nobel da Economia com megafone na mão contra a crise
Na página TVI24
http://www.tvi24.iol.pt/internacional/stiglitz-15-m-madrid-nobel-economia-tvi24/1269074-4073.html
no Jornal de Noticias - JN
Nobel da Economia de Megafone na mão
sábado, 23 de julho de 2011
Ouro para Portugal, nas Olimpiadas da Matemática

PARABÉNS MIGUEL SANTOS
Grande Campeão
E ainda dissem que ....
Não somos bons....
Expresso -Blog da SPM
Portugal obtém melhor resultado de sempre nas Olimpíadas Internacionais de Matemática
É um feito verdadeiramente excepcional. Miguel Martins dos Santos, 16 anos, arrecadou a primeira medalha de ouro da história da participação portuguesa nas Olimpíadas Internacionais de Matemática (IMO), que estão a decorrer na Holanda. Miguel Santos obteve um resultado extraordinário numa competição que conta com a participação de 574 estudantes vindos de mais de uma centena de países.
Ler mais:
http://aeiou.expresso.pt/portugal-obtem-melhor-resultado-de-sempre-nas-olimpiadas-internacionais-de-matematica=f663582#ixzz1SwNDZtEa
Correio da Manhã
Ler mais:
http://aeiou.expresso.pt/portugal-obtem-melhor-resultado-de-sempre-nas-olimpiadas-internacionais-de-matematica=f663582#ixzz1SwMvnZUa
Matemática dá ouro a Portugal
Foi o melhor resultado individual de sempre nas Olimpíadas Internacionais de Matemática. Miguel Santos, 16 anos, conquistou ontem uma medalha de ouro, em Amesterdão, Holanda, um feito inédito para a selecção nacional.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Urgência - contra a fome

Jornal Público
COMO AJUDAR A SOMÁLIA?
http://www.publico.pt/Mundo/como-ajudar-a-somalia_1503980
EuroNews
RTP
ONU alerta que fome vai continuar na Somália
O Secretário Geral da ONU diz que o estado de fome na região deve continuar já que metade da população da Somália vive esta crise.
BBC
HELP!
5 July 2011 The United Nations High Commissioner for Refugees, Antonio Guterres, says there are unprecedented levels of malnutrition among children fleeing Somalia to escape the severe drought in East Africa.
Oxfam, Save the Children and the Red Cross are all launching emergency appeals.
Rains have failed for the past three seasons, and aid agencies say more than 12 million people across large parts of Ethiopia, Somalia, and Kenya are facing dire shortages of food, shelter and health services.
The BBC's Ben Brown reports from the Dadaab refugee camp in Kenya.
AFP
Fome declarada
No Youtube http://www.youtube.com/embed/a6_8lW3L6Tc
As Nações Unidas declararam, nesta quarta-feira, a fome em duas regiões do sul da Somália sob controle de rebeldes islamitas e afetadas pela grave seca. Segundo a ONU, a crise alimentar na região - que inclui também Djibuti, Etiópia, Quênia e Uganda - é a pior em 60 anos.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Fome na Somália para centenas de milhar
Vergonha de Mundo , onde isto acontece ano após ano...
Meio milhão de crianças em perigo de vida
Fome ameaça cada vez mais em África
África: meio milhão de crianças à beira da morte por fome
Meio milhão de crianças em África sofre de malnutrição severa e está em risco iminente de morte, alertou a Unicef.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Coisas Simples
Por José Vítor Malheiros
A economia e as finanças são-nos apresentadas como algo demasiado complexo, sobre as quais não devemos emitir opiniões
1. Em 1375, o rei D. Fernando promulgou a Lei das Sesmarias. Aquilo que, em linguagem de hoje, se chamaria a Lei dos Baldios. Penso que todos a aprendemos na escola primária e julgo que mesmo aqueles que não voltaram a ouvir falar dela a recordam passados muitos anos. Por que nos lembramos deste pedaço de história e por que esquecemos tantos actos heróicos decorados penosamente, tantas causas de revoluções e tantos pedaços de prosa e de poesia às vezes até lidos com gosto? Lembramo-nos dela porque se trata de uma lei baseada num princípio simples e que faz sentido, que conseguimos compreender, uma lei que nos parece equilibrada, da qual resultam vantagens para a sociedade em geral, que vem dar racionalidade a um mundo imperfeito. Num contexto de escassez de alimentos e de desertificação dos campos, a lei impunha aos proprietários de terras a obrigatoriedade de as trabalhar e de produzir alimentos sob pena de expropriação e posterior entrega a quem as trabalhasse. A lei obrigava os mendigos e vagabundos que tivessem as devidas condições físicas a trabalhar no campo, impunha penas de açoite e possuía a dureza de uma lei medieval mas, mesmo hoje, passados mais de seiscentos anos, ainda nos parece uma lei, no essencial, justa.
2. Movimentos de "indignados" de vários países europeus estiveram reunidos em Lisboa, na livraria Ler Devagar, no domingo, para trocar experiências e visões e discutir a coordenação das suas acções. Um dos participantes nessa reunião, o islandês Gunnar Sigurdsson, citado pelo PÚBLICO, defendeu a criação de um movimento cívico europeu que ponha em causa as regras impostas pelo sistema financeiro. Para isso, diz que é preciso mobilizar "as pessoas que hoje estão sentadas em frente da televisão". E, para as mobilizar, Sigurdsson diz que são precisas "ideias simples", "um conjunto limitado de objectivos com que todos possam concordar". "Não basta dizer que queremos mudanças", disse Sigurdsson. "Temos de dizer às pessoas o que queremos em alternativa".
3. Um dos grandes obstáculos à participação na vida política por parte dos cidadãos é que, hoje em dia, tudo nos parece demasiado complexo. Se alguém sugere que prescindamos das agências de rating, aparecem uns peritos explicando com um sorriso benevolente que as coisas não são assim tão simples, que estas organizações possuem um papel central na economia, que só podemos prescindir das que há se criarmos outras absolutamente iguais e talvez piores. Mas se fazem batota, se são venais, como se vê nas investigações feitas nos EUA sobre a sua acção? Os peritos explicam que, mesmo que seja assim, precisamos delas. E as off-shores, que só servem para os mais ricos fugirem ao fisco, para branquear dinheiro obtido de forma criminosa, para facilitar a espoliação dos povos pelos ditadores, para permitir que alguns fujam às obrigações que todos nós cumprimos? Os peritos sorriem... "As coisas não são assim tão simples... as off-shores são essenciais à economia. Para acabar com elas teria de haver um consenso internacional e isso é impossível. Se não as tivéssemos, seria pior".
E o carrossel não pára, mostrando sempre que existem excelentes razões técnicas para não se fazer aquilo que é justo e necessário.
4. Aceitar o primado da política sobre a economia significa agir de acordo com princípios simples. A preocupação com a simplicidade não exclui o estudo nem o debate de um problema, mas permite equacioná-lo em termos simples, de forma perceptível pelos cidadãos, para que estes decidam. A economia é demasiado importante para ser deixada na mão dos economistas e o argumento de que algo é demasiado complexo para permitir que os cidadãos decidam é inaceitável numa democracia. Acabar com as off-shores é simples e justo. Deixar de contratar agências de rating venais também. Recusar que as agências de rating definam a política nacional ou europeia também. Exigir o lançamento de eurobonds também. E por que não actualizar a ideia de D. Fernando e desincentivar fiscalmente a desocupação de imóveis nas cidades e o abandono de terras nos campos?
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(jvmalheiros@gmail.com)
in Público
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A Verdadeira Crise Mundial é esta!!!
Ban Ki-moon lança apelo para travar a fome no Corno de África
Uma agência humanitária islâmica começou a distribuir milho em Mogadíscio, a ONU convocou uma reunião de emergência. Mas o que chega à Somália está muito longe de ser suficiente para os mais de 11 milhões de pessoas afectadas pela pior seca dos últimos 60 anos.
Iisha nasceu debaixo de uma acácia, a 80 quilómetros do campo de refugiados de Dadaab, no Quénia. A sua mãe, Wehelley Osman Haji, contou à BBC que caminhou com cinco filhos durante 22 dias. Só tinha água para beber. Tentou que o bebé nascesse no campo, mas ele teve pressa. Chamou-o assim porque Iisha quer dizer vida.
Noticia do Jornal Público

Milhares de pessoas procuram ajuda nos campos de refugiados ou em Mogadíscio (Feisal Omar)
Noticia Jornal Público
Corno de África
"Esta é a pior tragédia humanitária do mundo"
A maior seca dos últimos 60 anos afecta a Somália, o Quénia, a Etiópia, o Uganda e o Djibuti. "Há décadas que não vimos nada assim", contam os responsáveis das ONG no terreno.
Sainab Yusuf Mohamed partiu com os filhos e calcorreou centenas de quilómetros à procura de ajuda. "Não tínhamos nada para comer". Quando chegou a Bardhere, no Sul da Somália, contou à Reuters que um dos seus filhos não resistiu. "Depois, quando estávamos a enterrar o seu corpo, o meu segundo filho também morreu". Não tinha nada, perdeu tudo à procura de alguma coisa.

Refugiados num campo na Somália (Foto: Feisal Omar/Reuters)
Somália
Refugiados estão a morrer de fome e sede
Numerosas pessoas, em fuga da grave seca que atinge a Somália, estão a morrer de fome e de desidratação durante a viagem para países vizinhos, indicou hoje o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).
Noticia no Jornal Destak.pt
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Zero , 0 , Nada
Quanto vale a palavra de Pedro Passos Coelho?
Santana Castilho *
Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, o programa de Governo garante-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e assevera, logo de seguida, que desenvolverá connosco uma “relação adulta” (página 3 do dito).
Tentei perceber.
Com efeito, é difícil estabelecer um pacto de confiança com um Governo que não se conhece no momento em que se vota. Mas, Governo posto, o que quer isto dizer? E que outra relação, se não adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. Passos afirmou em campanha que era um disparate falar do confisco do subsídio de Natal? Afirmou! Passos garantiu que não subiria os impostos e que, se em rara hipótese o fizesse, taxaria o consumo e nunca o rendimento? Garantiu! Passos prometeu suspender o processo de avaliação do desempenho dos professores? Prometeu! Mal tomou posse, sem pudor, confiscou, taxou e continuou. O homem de uma só palavra mostrou ter várias. Ética política? Que é isso? Confiança? Para que serve isso? Relação adulta? Que quer isso dizer?
Não tinha que ser assim, julguei que não seria assim. Mas foi, fatalmente! Passos reconduziu-me a Torga que, se tivesse algum apreço pelos políticos, não se teria demarcado deles de modo tão eloquente: “ A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós … Separa-nos um fosso da largura da verdade … Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero.” Conhecíamos as divergências de Passos Coelho, relativamente a José Sócrates. Começamos agora a conhecer as convergências. Se a palavra de Sócrates já estava politicamente cotada, faz agora sentido perguntar: quanto vale a palavra de Pedro Passos Coelho?
O programa de Governo para a Educação está longe de constituir o plano coerente, arrojado e corajoso de que o país necessitava, para combater o estado de calamidade educativa a que chegamos. Retoma a retórica habitual enganosa: enuncia preambularmente princípios consensuais, para logo os anular através das respectivas medidas. A gasta autonomia e a estafada desconcentração estão lá. Mas não é preciso ser-se iluminado para perceber que, quanto à rede de escolas e gestão das mesmas, é mais controlo centralizado e mais concentração desumanizada e desertificante do interior do país. A suspensão do encerramento de algumas centenas de estabelecimentos não é ditada pela alteração de políticas. Justifica-a o atraso das obras em curso nos grandes centros educativos. Logo que concluídas, prosseguirá a transferência das crianças e a actividade da Parque Escolar, sobre a qual não há uma palavra.
A municipalização da Educação, para que o programa aponta, terá como consequência a feudalização educacional pelo caciquismo local. Quem esteve atento às recentes movimentações nos processos de escolha dos directores não pode deixar de ficar apreensivo. Não me espantará se, a breve trecho, a progressão na carreira docente e o próprio despedimento dos professores depender da decisão dos directores que, por sua vez, dependem dos Conselhos Gerais.
Até Sua Santidade a Troika é profanada no programa para a Educação. Ela manda diminuir o financiamento do ensino privado? O programa faz prever o seu aumento! Ela recomenda o reforço da Inspecção-Geral da Educação? O programa passa ao lado.
Claro que as direcções regionais e o cortejo de custos e prebendas que significam resistem à prudente via reformista.
A prova de acesso à docência é recuperada. Foi instituída por Maria de Lurdes Rodrigues, que, entretanto, não a pôs em prática. Estipula que, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré – escolar, básico ou secundário, não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimentos e competências. Recuperando-a, Nuno Crato vem dizer duas coisas: que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado. Com efeito, as universidades e os politécnicos, que formam professores, não são clandestinos. Foram reconhecidos pelo Estado como competentes para tal, através de uma agência externa, tão do agrado do ministro. Para operarem, têm que obedecer às exigências do Estado. O Estado fiscaliza-as e pode fechá-las, se deixar de lhes reconhecer qualidade. O Estado é, pois, tutor de todas. Mas, mais ainda, o Estado é dono da maioria. Neste quadro, esta prova de avaliação de conhecimentos e competências mostra que o Estado não confia em si próprio. E faz com que todos aqueles que pagaram propinas durante anos para obterem uma habilitação profissional, sublinho, profissional, se sintam agora enganados e deixem de confiar no Estado.
Nuno Crato lamentou o tempo que se perde com conflitos. Mas permite que continue o maior do sistema. Refiro-me ao processo pelo qual se avalia o desempenho dos docentes. Foi deplorável Pedro Passos Coelho ter dito que não revoga a avaliação do desempenho porque agora só tem três meses, quando, em Março, quando a propôs, tinha seis. Se isto fizesse algum sentido, que não faz (Passos Coelho sabe bem que não fala verdade), então devia tê-lo dito em campanha. E não disse. Mais: esqueceu-se de que, em Novembro de 2009, o PSD deu ao PS um mês para fazer a mesma coisa? Entretanto, entre o programa eleitoral do PSD e o programa do Governo, sumiram os princípios que deveriam nortear o futuro modelo. Dissimuladamente, como convinha!
* Professor do ensino superio
terça-feira, 5 de julho de 2011
Democracia e balas
São José Almeida
Há mesmo um novo conceito de política e de governação na Europa? O que é hoje a democracia?
" A expectativa é grande, a confiança parece ser imensa e há uma espécie de ingenuidade desassombrada em relação à forma como o novo Governo vai conduzir os portugueses a uma espécie de terra de leite e mel. As intenções de transformar o país em algo que o identifique e torne aceite pelos considerados melhores proclamam-se e há uma espécie de fé cega e de crença inebriante entre os apoiantes do novo poder de que agora o paraíso na terra será revelado.
Num acrítico e quase absoluto clima de fé, toma-se como viável o regresso a soluções de organização social que representam uma regressão civilizacional no que contém de entrega do dominio sobre a sociedade à economia privada e do abandono do papel neutro do Estado como regulador da vida social. E que surgem como uma regressão ao que, na construção de Estados reguladores desde o século XVIII, na Europa, é defendido por várias correntes quer da esquerda quer da direita.
Assim, embarca-se cada vez mais na lógica da privatização de sectores económicos centrais e até garantes de soberania como os transportes e a àgua. E retorna-se ao Estado assistencialista que começou a ser abandonado ainda dentro do Estado Novo pelos governos de Marcelo Caetano e que foi erradicado pello 25 de Abril. A lógica da esmola e do pobre como indivíduo diferente e menor que precisa de ajuda substitui a lógica do Estado-Providência que redistribui riqueza, colectada através de impostos, de forma igualitária e garantindo o igual tratamento de todos os cidadãos."
"O clima de fervor e convicção, que se vive no poder e nos seus apoiantes e clientelas, contrasta com a ausência de expectativas de melhoria em grande parte da população que está na iminência de ver a sua qualidade de vida e o seu poder de compra baixar ainda mais e descer de forma drástica a patamares de difícil sobrevivência. E parece certo o destino a que leva o programa de acção política e idiológica feita pela troika para obrigar Portugal a aderir e a cumprir as directivas neoliberais que orientam a União Europeia."
" A obsessão seguidista que domina o PSD, o CDS e o PS não dá sequer espaço para que ninguém se questione sobre a utilidade e o futuro que está implícito no caminho apontado pela Comissão Europeia e pelo Governo português. Não só à luz de conceitos tidos como centrais em democracia, como é o caso da justiça social. Mas também naquilo a que esta receita e estas soluções têm conduzido a Europa e o mundo ocidental em geral. E há até uma espécie de censura sobre quem ousa questionar. Como se isso pusesse em risco a soberania nacional - conceito que precisa urgentemente de redefinição."
" Será que Portugal acaba se não cumprir as imposições de Bruxelas? Será que alguém acredita mesmo que não há outro caminho, que não há alternativas, como propagandeiam os neoliberais? Será que o país se extingue se for expulso do euro? Será que o euro, tal como existe , tem futuro? Será que alguém acredita que o futuro é o presente imutável e que o curso da história acabou?"
"Estas dúvidas assolam-me não só perante a convicção de fé que transparece da opinião dominante em Portugal, mas também ao observar que, na mesma semana em que o Governo Português proclamava a sua vontade de ser bom aluno da Comissão Europeia, no Parlamento Grego o Governo da Grécia aprovava medidas draconianas de redução de qualidade de vida e de poder de compra. Impressiona-me que, em Portugal , se fale dos gregos como relapsos e como uma espécie de maus europeus, enquanto ninguém se questiona sobre a falta de solidariedade para com a Grécia e os outros países em crise por parte dos outros Estados-membros. A verdade é que os gregos sofrem há um ano na sua vida quotidiana o efeito das medidas impostas pela Comissão Europeia, as quais, pelos vistos, não levaram a grande resultado, pelo que se impõem agora mais sacrifícios à população grega, que se manifestou nas ruas e fez mais uma greve geral."
"Mas a Comissão Europeia , não haja ilusões, age de acordo com as directivas imbuídas da nova lógica política da direita dominante na Europa, que leva à sagração do lucro como princípio máximo. E esquece o interesse das pessoas que, em democracia, é suposto os governos representarem. Ou seja, esquece que , em democracia, o soberano é o povo e que este é o sistema de governo do povo (demo+kracia) . Foi por isso que a resposta que os cidadãos gregos receberam foi balas de gás."
"Olhando para a Grécia, e para o que se passa na Europa, há uma questão que não deixa de me preocupar. Há mesmo um novo conceito de política e de governação na Europa? O que é hoje a democracia? Será que a história regressou à lei do mais forte e à lei da bala?"
Público, 2 Julho 2011
domingo, 3 de julho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
PIGS e infecciosos

Um bode expiatório, como os comunistas em 1933, perfeitamente credível para o alemão comum, já que a Espanha é, com Portugal, Irlanda e Grécia, um dos tenebrosos PIGS, os países feios, porcos, maus, preguiçosos e gastadores da periferia do "lebenraum" comunitário da senhora Merkel cujos problemas a impecavelmente asseada Banca alemã "ajuda" a resolver a generosos juros usurários enquanto se ajuda não menos generosamente a si mesma.
Países que não sabem governar-se e que, por isso, tem que ser a sempre esforçada Alemanha, por interposta UE, a governá-los e, como na Grécia, a cobrar-lhes os impostos e encarregar-se da privatização das suas empresas e serviços públicos (e a altura chegará em que os próprios governos dos países "ajudados" terão que ter o "agreement" do chanceler de serviço em Berlim).
A declaração de inocência dos pepinos PIGS faz supor que - disse-o à BBC Reinhard Burger, presidente do Instituto Koch - possa nunca vir a ser descoberta a origem do surto infeccioso. Principalmente se a origem for, digo eu, a carne alemã.
domingo, 19 de junho de 2011
Ver-se Grego
A Grécia comprou algum tempo com um novo pacote de apoio financeiro, mas o país não está ainda fora de perigo. Continua por saber se as políticas de austeridade prometidas pelo Governo do primeiro-ministro George Papandreou se vão revelar politicamente aceitáveis e sustentáveis
Dani Rodrik
Jornal "Público"
quarta-feira, 15 de junho de 2011
"Donde vimos, onde estamos?", Carvalho da Silva
2011-06-11
Como trabalhar as respostas às três dimensões da interrogação?
José Saramago disse um dia que "somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir". Ora, o neoliberalismo abjura o exercício de memória e não quer cidadãos livremente responsabilizados.
Só é possível vender velharias dos séculos XVIII e XIX como modernidades escondendo de que forma se construiu o progresso das sociedades. Por exemplo, o que significou passar a retribuição do trabalho da dimensão de subsídio de subsistência para a de partilha (mesmo que injusta) da riqueza produzida pelo trabalhador(a); o que significou atribuir direitos e factores de estabilidade e segurança ao trabalho e afirmar o direito do trabalho; o que significou universalizar direitos sociais e garanti-los através de valores solidários colectivamente assumidos; o que significou o controlo do tempo de trabalho, fazendo emergir dimensões do não trabalho que tornam o ser humano mais pleno e feliz; o que significou a conquista e a consagração da contratação colectiva, o mais eficaz instrumento de políticas de distribuição da riqueza na 2.ª metade do século XX; o que significou o investimento público em infra-estruturas e serviços básicos.
Vimos somando anos de fraco crescimento económico, de agravamento de desigualdades e do desemprego, mas sabemos com que interesses particulares se destruiu grande parte do sector produtivo, o que se passou com a apropriação indevida de fundos comunitários ou quem lucra escandalosamente com a especulação financeira, conhecemos a doença dos desvios dos orçamentos das obras públicas ou os privilégios dos atingidos pelos vírus do compadrio, da troca de favores e da corrupção, das promiscuidades entre interesses públicos e interesses privados.
Agora onde estamos?
Estamos atolados nos resultados daquelas políticas e práticas, nos impactos dos desastrosos caminhos que a União Europeia (UE) está prosseguindo e prisioneiros do processo de agiotagem que se vem impondo.
Estamos numa situação política delicada em que a Direita atingiu, pela 1.ª vez, o objectivo com que sonhou desde o rescaldo da contra-revolução de ter, simultaneamente, uma maioria, um governo e um presidente. Agora dispõe ainda do acrescento de sermos membros de uma UE sob o comando da Direita (e extrema-Direita), tendo como eurocrata-chefe um português da Direita portuguesa. É urgente que se tome consciência colectiva deste facto político!
Grandes desafios se colocam à Esquerda, ou às esquerdas portuguesas. É tempo de neste(s) campo(s) se encetar, também, uma "análise fria e raciocinada" que propicie aos portugueses identificarem sinais políticos que ajudem à construção da esperança e da confiança no futuro que hão-de sustentar necessárias alternativas. Alguns importantes confrontos a travar estão aí no imediato e é preciso pensar e agir para além do "contexto da crise".
No espaço deste artigo não cabem as necessárias reflexões e propostas responsabilizadoras para caminharmos em bom sentido. Hoje deixo apenas três considerações de partida:
- (i) a execução das políticas receitadas pela troika, que o futuro Governo se propõe executar com zelo, conduz-nos ao retrocesso, nomeadamente, económico, social e civilizacional;
- (ii) em democracia as maiorias políticas têm de se sustentar na identidade com os direitos e os anseios dos cidadãos, e as maiorias sociais são indispensáveis para que os projectos políticos tenham êxito;
- (iii) a insistência nas teses de que não há alternativas, para além de ajudarem ao prosseguimento do roubo, negam a própria democracia.
Em democracia, nunca existe a inevitabilidade de uma escolha única.
Manuel Carvalho da Silva
Jornal Noticias
quinta-feira, 9 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
"Quando a austeridade falha", Votar CDU
É Obvio que vou VOTAR em Jerónimo de SousaDar força à CDU

"Por trás desta insistência estão algumas fantasias económicas, em particular a da fada da confiança - isto é, a convicção de que cortar na despesa vai de facto criar emprego, porque a austeridade vai criar confiança no sector privado", escreve Krugman. "Infelizmente, a fada da confiança está a fazer-se rogada e a discussão em torno da melhor maneira de lidar com esta realidade desagradável ameaça tornar a Europa o centro de uma nova crise financeira."
Para Krugman, as condições do empréstimo à Grécia fizeram com que o país se endividasse demasiado: "Os líderes europeus ofereceram empréstimos de emergência aos países em crise, mas apenas em troca de compromissos com programas de austeridade selvagens, feitos sobretudo de cortes da despesa. A objecção de que estes programas põem em causa os seus próprios objectivos - não só impõem efeitos negativos drásticos à economia, mas ao agravar a recessão reduzem a receita fiscal -, foi ignorada."
Para Krugman só há uma solução: Como a confiança ainda não reapareceu, a crise tem-se agravado e agora Grécia, Irlanda e Portugal estão em risco de não conseguir pagar as dívidas. "Se quiser ser realista, a Europa tem de se preparar para aceitar uma redução da dívida, o que poderá ser feito através da ajuda das economias mais fortes e de perdões parciais impostos aos credores privados, que terão de se contentar com receber menos em troca de receber alguma coisa. Só que realismo é coisa que não parece abundar."
Alemanha e BCE têm-se oposto a esta reestruturação da dívida, pondo em causa o próprio Euro."Se os bancos gregos caírem, a Grécia pode ser forçada a sair do euro - e é fácil ver como isto pode ser a primeira peça de um dominó que se estende a grande parte da Europa. Então que estará o BCE a pensar?", pergunta Krugman.
E termina com mais uma pergunta arrasadora: "Estou convencido que isto é apenas falta de coragem para enfrentar o fracasso de uma fantasia. Parece-lhe tolo? Quem é que lhe disse que era o bom senso que governava o mundo?"
Noticias.rtp.pt
Nunca citámos tanto Krugman como agora, mas é óbvio que o argumento de autoridade ajuda a passar uma conclusão que devia ser evidente para todos: uma economia anémica com problemas estruturais de competitividade, para mais sujeita a um programa procíclico selvagem em plena recessão, não consegue pagar empréstimos com este tipo de juros - nem os dos contratos antes contraídos, nem os que vêm associados ao pacote BCE-FEEF-FMI.
Por isso talvez fosse bom que se abandonasse as conversas sonsas em torno da boa fé de Portugal como devedor e se encarasse a realidade - em moldes democráticos e mais cedo do que tarde.
No Blog Ladrão de Bicicletas
domingo, 22 de maio de 2011
Liberais ou NeoLiberais (PS ou PSD)
"....
Esta urgência de poder no PSD aliou-se à urgência do poder económico e das suas aristocracias, que não disfarçam o quanto apostam numa vitória de Pedro Passos. Os mesmos que durante anos apoiaram Sócrates, mas para quem agora o lider do PS sabe a pouco. Ou melhor, Sócrates não tem condições de ir mais longe do que já foi na liberalização da ecónomia portuguesa e na desconstrução do Estado-providência , enquanto primeiro-ministro , assumindo assim que o seu limite é o documento que negociou com a troika.
Pelo contrário Pedro Passos não esconde que quer ir muito mais longe na ruptura neoliberal da sociedade portuguesa com o modelo construido pela democratização pós-25 de Abril. Uma vontade de ruptura que assusta mesmo muitas das cabeças coroadas do cavaquismo. Isto porque, embora tenham sido os governo de Cavaco Silva os primeiros a abrir a porta ao neoliberalismo em Portugal - basta lembrar a revisão da Lei de Bases da Saúde e a abertura das televisões ao sector privado - o que é um facto é que, até pela sua idade, essas elites cavaquistas integram uma direita politica para quem o papel do Estado é central.
Elas vêm , aliás , no esteio do pensamento e da acção de Salazar, que é em Portugal o construtor do Estado central contemporâneo , enquanto detentor dos chamados sectores estratégicos da ecónomia, considerados garantes de soberania. Uma política que Salazar concretizou ao longo de anos, conseguindo reunir no Estado a propriedade da àgua , da luz, do gás , de alguns transportes.
Pedro Passos Coelho protagoniza uma ruptura histórica na direita portuguesa , ao apresentar-se aos eleitores com um projecto neoliberal puro e assumidamente pós-democrático. E deixando para trás o PSD histórico que se revê no Estado , ainda que temperado por uma partilha com os privados. E uma vez primeiro-ministro , se de facto vier a ganhar as eleições , será dentro do PSD que Pedro Passos irá encontrar resistências e criticas que agora, pela fome do poder e pela expectativa da sua partilha, se calam. "
São José Almeida
Jornalista
Público , 21 Maio 2011




