quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Estrelas em Agosto (3)

Localize a Cassiopeia
A Cassiopeia é constituída por cinco estrelas brilhantes. Repare que a forma de W ou M é ligeiramente deformada numa das extremidades. As estrelas 3 e 5 estão mais afastadas do que as estrelas 1 e 3.

  • Uma linha imaginária que parta das estrelas 6 e 7 da Ursa Maior e passe pela Polar pode ser continuada com uma ligeira curvatura até ao enorme W ou M que vê no céu.

  • Uma linha recta que parta das estrelas 1, 2 ou 3 da Ursa Maior e passe pela Polar irá dar à Cassiopeia.

A estrela 1 da Cassiopeia é a Caph
Do livro “Um passeio pelos céus – um guia de estrelas, constelações e lendas”

Cassiopeia é uma constelação situada na vizinhança da Via Láctea. É facilmente localizável devido à sua inconfundível forma de W ou M, conforme a sua posição no céu.
em Apresentação Constelações Univ.Minho

LN

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sentido descuidado

entrelaçaram olhares na parança

Miguel Esteves Cardoso na Festa do Avante (2)

" É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é mínimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.
Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.
QUANDO SE CHEGA à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.
Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.
A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.
O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.
Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.
Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.
A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).
A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante! Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.
As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam. "

(Continua Amanhã)
Miguel Esteves Cardoso, texto na Revista Sábado, Setembro 2007



LN

Divórcio, entre conhecimento e democracia

“ a lentidão da «aprendizagem da democracia», segundo a expressão consagrada pelo povo português. Os progressos no campo da história, do direito, da sociologia do nosso país não tiveram equivalência na prática da democracia, repercutindo-se timidamente no conhecimento geral que o povo tem dos mecanismos do Estado em que vive.
Mais: depois do surto que se seguiu ao 25 de Abril, os ânimos voltaram a uma espécie de apatia, tanto no campo político como, digamos, no da cidadania. As universidades, que vivem em círculo fechado, mas também o regime partidário, as suas práticas e os seus discursos, o «autismo» dos governos e a sua visão medíocre do futuro, a falta de imaginação e a falta de coragem políticas contribuíram largamente para que os reflexos herdados da ditadura demorassem (e demorem) a dissolver-se.

Refiro-me ao medo, à passividade, à aceitação sem revolta do que o poder propõe ao povo.


Como se, tal como antigamente, a força de indignação, a reacção ao que tantas vezes aparece como intolerável, escandaloso, infame na sociedade portuguesa (tolerado, aceite, querido talvez pela maneira como as leis e regras democráticas se concretizam na sociedade, quer dizer no húmus das relações humanas), se voltasse para dentro num queixume infindável quanto à «república das bananas» ou «a trampa» que decididamente constituiria a essência eterna de Portugal, em vez de se exteriorizar em acção.
Gostaria de insistir num ponto: o legado do medo que nos deixou a ditadura não abrange apenas o plano político. Aliás, a diferença com o passado é que o medo continua nos corpos e nos espíritos, mas já não se sente. Um aspecto desse legado deixou uma marca profunda num campo específico: no saber, na hierarquia do poder-saber que Salazar promoveu, cultivou e utilizou em proveito directo do poder autocrático que instaurou. O efeito desse medo hierárquico faz-se ainda hoje sentir.
Por exemplo, o direito à cultura e ao conhecimento ainda não chegou ao sentimento da população portuguesa. Que esse direito existe e que cada português deveria vê-lo para si cumprido – todos o sentem, mas como parte do que idealmente lhes é devido pela justiça (que, aí, nunca se cumpre). Essa aspiração não é, pois, uma exigência tão evidente para os portugueses que estes, iletrados e analfabetos, saiam para a rua em manifestação pelo direito à cultura. Porquê? Porque o 25 de Abril não conseguiu abolir a divisão instruído/sem instrução que correspondia mais ou menos ao par poder-saber/pobreza-ignorância do tempo do salazarismo. Porque na sociedade portuguesa actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante as instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão da liberdade.
Numa palavra, o Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. Vivemos numa sociedade sem espírito crítico – que só nasce quando o interesse da comunidade prevalece sobre o dos grupos e das pessoas privadas.
Mas não somos livres? O poder que nos governa não é livre e igualmente eleito por todos os cidadãos? Estaremos nós a praticar, de forma perversa, mais uma variedade do queixume?
Não se pode, hoje, dissociar direitos democráticos e direitos de cidadania. A cidadania política, que engloba as eleições livres com o direito universal de escolher os seus representantes, não se concebe sem os direitos sociais, iguais para todos – direitos à educação, à saúde e todo o tipo de serviços sociais.
Numa outra linguagem, poderia dizer, com Espinosa, que o fim de todo o Estado – e toda a organização dos homens em Estados é fundamentalmente democrática, para Espinosa – é assegurar a liberdade do cidadão, entendendo por liberdade o máximo possível da expressão, em sociedade, do seu conatus, quer dizer, da sua potência de vida.
Ora, há diversas expressões, diversos graus de liberdade. Há sociedades e homens mais ou menos livres.
Portugal conhece uma democracia com um baixo grau de cidadania e de liberdade. Dou a esta última palavra um sentido próximo do sentido espinosista. Sabemos pouco – quero dizer, raros são aqueles que conhecem – o que é um pensamento livre. Raramente no nosso pensamento se exprime o máximo da nossa potência de vida.
Dito de outro modo: estamos longe de expressar, de explorar, e portanto de conhecer e de reivindicar os nossos direitos cívicos e sociais de cidadania, ou seja, a nossa liberdade de opinião, o direito à justiça, as múltiplas liberdades e direitos individuais no campo social.

“Que conhecimento da democracia?” em “Portugal Hoje, o medo de existir “, José Gil

Tendo em conta que estamos a um mês das eleições legislativas (em Setembro), espero que vão ver o programa eleitoral da CDU, que tem algumas propostas e objectivos que julgo próximos do texto do José Gil.
Algumas frases do Programa Eleitoral da CDU retirados do D.N.

SAÚDE – Eliminação das taxas moderadoras. Fim das parcerias público-privadas.
JUSTIÇA - Baixar as Custas Judiciais e criar um Instituto Publico de Acesso ao Direito, para os “cidadãos de menores recursos”
EDUCAÇÃO – “A gratuitidade de todo o ensino” é um elemento crucial da garantia ao acesso e sucesso escolares. O PCP quer a revogação da lei que municipalizou o ensino básico, a revogação do Estatuto da Carreira Docente e um novo regime de avaliação dos professores.
IMPOSTOS – “O PCP defende uma política fiscal que “alivie a carga (fiscal) sobre os trabalhadores e pequenas empresas” e que “assegure a eliminação tendencial dos benefícios fiscais”, acabando também com o sigilo bancário.
SEGURANÇA – Os comunistas querem reforçar os meios das polícias e acabar com a natureza militar da GNR e da Polícia Marítima.
DIPLOMACIA – Os comunistas visam a “progressiva desvinculação de Portugal da estrutura militar da NATO”. E querem o “abandono definitivo” do Tratado de Lisboa.

Eu que ainda não li nenhum programa eleitoral, Nem sequer o da CDU; mas estou de acordo com quase todas estas propostas da CDU.

É Pena que a generalidade das pessoas não leia as propostas dos partidos e vote nas eleições só com uma vaga ideia do que são os programas, e que vão votar com um palpite no que vai ganhar, da mesma forma que vão preencher um boletim do euromilhões à 6ª feira à tarde.

LN

Lendas de Constelações (1)

Lenda da Ursa Maior
Quando a Terra era muito jovem, um sábio índio americano enviou os seus sete filhos para a floresta para aprenderem a compreender o vento.
Eles entraram no bosque e caminharam silenciosamente enquanto ouviam todos os sons produzidos pelo vento. Quando a noite começou a aproximar-se, procuraram um local para descansar e dormir. As estrelas brilhavam intensamente.
Durante a noite, o irmão mais velho foi repentinamente acordado por um som estranho. O vento estava a cantar. Não conseguia compreender a canção do vento, mas, olhando para as estrelas, viu um intenso piscar nas Plêiades. Estava espantado. Parecia-lhe evidente que as estrelas piscavam ao ritmo da canção do vento. Acordou de imediato os irmãos para ouvirem a canção e para o ajudarem a interpretar o vento. Juntaram as mãos e começaram a dançar. O som tornou-se mais forte e a dança mais intensa.
De repente começaram a subir em direcção à estrela cintilante que era a irmã mais nova das sete irmãs Plêiades. Ela apaixonou-se pelo irmão mais novo, Mizar. Desde então Mizar e o seu amor, que lhe foi dado pela canção do vento, podem ser vistos por todos os que tiverem boa visão na cauda da Ursa Maior – a casa dos sete irmãos.
Esta lenda derivou de uma lenda mongólica e de uma outra índia americana.

Lenda das Plêiades
As Plêiades são as sete filhas de Atlas e de Plêione. Diz-se que Orionte, o caçador , tentou raptar Plêione enquanto ela caminhava com as filhas. Felizmente, escaparam mas, como poderá ver no céu, as Plêiades não se encontram muito longe de Orionte.
A segunda estrela da Ursa Maior (a contar da ponta ou cauda) tem o nome de Mizar as estrelas 6 e 7 são as «guardas» (as duas da extremidade da quadrado)


Uma vez localizada a Ursa Maior, inicie com ela o seu passeio. Na época em que a Ursa Maior é visível ela ajuda a encontrar muitas outras constelações ou estrelas especificas em cada constelação.

Do livro “Um passeio pelos céus – um guia de estrelas, constelações e lendas”
LN

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Estrelas em Agosto (2)


Localize a Polar (estrela) na Ursa Menor

Parta da estrela 6 para a 7 (as «guardas») na Ursa Maior, até à Polar, ou Estrela do Norte. A Polar fica a cerca de cinco vezes a distância que separa as estrelas 6 e 7.

A Ursa Menor tem apenas duas estrelas brilhantes, a Polar (estrela 1) e a Kochab (estrela 7).
A Polar fica a cerca de 0,8 graus do pólo norte celeste, que é o ponto da esfera celeste para onde aponta o eixo de rotação da Terra. Os povos escandinavos acreditavam que existia um pau enorme que atravessava a Polar e em torno dos qual o universo rodava.


Do livro “Um passeio pelos céus – um guia de estrelas, constelações e lendas”

Esta constelação possui, talvez, uma das mais conhecidas estrelas, a estrela polar,
situada a apenas um grau do verdadeiro Pólo, por essa razão esta estrela foi muito
importante na navegação no mar, pois através da localização deste é possível
determinar com exactidão a latitude na Terra.
Muitos astrónomos usam esta constelação terem uma ideia da claridade do céu, se
conseguirem ver todas as estrelas que formam esta constelação então estão perante
uma boa noite para observação.
em apresentação Constelações Univ.Minho

É fácil descobrir a estrela polar, mas as estrelas intermédias da constelação Ursa Menor (também em forma de Caçarola) não se conseguem distinguir no céu, e praticamente não se vêem a olho nu.

LN

Três pontos cruz

X X X

Miguel Esteves Cardoso na Festa do Avante (1)

REPORTAGEM, UMA AVENTURA DENTRO DO COMUNISMO REAL.
O MEC FOI À FESTA DO AVANTE!
REPORTAGEM, Uma aventura dentro do comunismo real.

E teve medo, muito medo. Às constantes tentativas de intimidação por parte dos inimigos comunistas, o repórter assumidamente reaccionário respondeu com a sua polaróide e registou todas as adversidades. Entre uma e outra conversas mais azeda, ainda teve tempo para comer bem e beber melhor.


Artigo de Miguel Esteves Cardoso.
(revista Sábado 13 Setembro de 2007)
“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.
Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?
É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.
Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.
BEM SEI QUE A condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.
É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.
É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.
Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão. "


CONTINUA amanhã o resto do artigo

Obrigada Miguel por escreveres um texto tão livre e sem nenhum preconceito...
LN

Se os portugueses guardassem ainda um pingo de decência... Diriam BASTA!

" Tenho quase 57 anos de idade. Vivi 22 em ditadura e os restantes, em "democracia"... sob a governação, quase sempre alternada, do PS e do PSD. Tenho 3 filhos e muita vergonha do país que lhes deixarei: o Portugal da cunha, do empenho e do compadrio, do futebol trapaceiro, do fado lamechas, do marialvismo de vão de escada, da contra-reforma tridentina e de todas as crendices abençoadas, da corrupção por todo o lado, do chico-espertismo, dos trolhas convertidos em empreiteiros e dos empreiteiros que alugam os eleitos que não passam de trolhas, dos médicos que não atendem nos hospitais, porque o negócio da saúde faz-se nas clínicas, da banca fraudulenta e dos banqueiros que deviam estar na cadeia, dos tribunais que nunca decidem a tempo e horas e só têm a mão pesada para os fracos, das escolas que perpetuam a ignorância e a incivilidade, o Portugal rasca e faz-de-conta que, quase cem anos depois, continua inteiro dentro da Cena do Ódio, de Almada Negreiros, o Portugal canalha e ridículo que Alexandre O'Neill vergastou sem dó, nem piedade, mas com toda a verdade. Se os portugueses guardassem ainda um pingo de decência... diriam BASTA! Diriam BASTA a todos aqueles que, nos sucessivos governos, nas autarquias, na administração, nas empresas públicas... durante 35 anos, fizeram de Portugal (e consentiram que Portugal continuasse a ser) a república das bananas da velha Europa.
Se os portugueses guardassem ainda um pingo de decência... diriam BASTA e não votariam mais no PS e no PSD. Portugal precisa, em democracia, de um terramoto político para acordar. "
Eu farei o que puder para ajudar ao terramoto. Espero que me acompanheis, leitores!... "

Ademar Santos, Blog Abnoxio

LN

Portugal Desigual - ou "Tudo na mesma"

Ler um artigo como deve ser
Portugal Desigual

"Haverá esperança de que esta situação mude, a oeste da Península, com as próximas eleições? O depósito do voto na urna deveria ser sempre um acto de esperança. Mas, faltando um mês para o sufrágio, não parece que esse venha a ser o sentimento dominante. Por um lado, pode-se pensar que, dos dois maiores partidos, o Partido Socialista, em princípio mais à esquerda, seja mais sensível às questões tão prementes das desigualdades sociais.

Mas, por outro lado, a sua política no sector da educação, aquele onde a sociedade, com maior eficácia, pode concentrar esforços no sentido do seu nivelamento, tem-se revelado desastrosa.
A escola portuguesa actual não constitui para os pobres um meio seguro e expedito de promoção social. De facto, na ausência de uma escola pública qualificada e exigente os ricos conseguem encontrar alternativas, ao passo que os pobres estão condenados à exclusão. Seja qual for o partido que ganhe as eleições (aliás ganhar pode, a curto ou médio prazo, significar perder), muitos eleitores receiam que se venha a aplicar mais uma vez a famosa frase de Giuseppe di Lampedusa, o escritor italiano autor de O Leopardo: "Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude". "

Artigo de Carlos Fiolhais no jornal Público

E vai ficar tudo na mesma (não sei se vai mudar alguma coisa???)
LN