sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Avenida Angola, música de José Afonso

Cristina Branco canta Zeca Afonso



Ontem um concerto muito bom de Cristina Branco no Festival dos Oceanos em Lisboa.
LN

"O General", Poema

O GENERAL

("Depois de fortemente bombardeada, a cidade X foi ocupada pelas nossas tropas.")

O general entrou na cidade
ao som de cornetas e tambores ...

Mas por que não há "vivas"
nem flores?

Onde está a multidão
para o aplaudir, em filas na rua?

E este silêncio
Caiu de alguma cidade da Lua?

Só mortos por toda a parte.

Mortos nas árvores e nas telhas,
nas pedras e nas grades,
nos muros e nos canos ...

Mortos a enfeitarem as varandas
de colchas sangrentas
com franjas de mãos ...

Mortos nas goteiras.
Mortos nas nuvens.
Mortos no Sol.

E prédios cobertos de mortos.
E o céu forrado de pele de mortos.
E o universo todo a desabar cadáveres.

Mortos, mortos, mortos, mortos ...

Eh! levantai-vos das sarjetas
e vinde aplaudir o general
que entrou agora mesmo na cidade,
ao som de tambores e de cornetas!

Levantai-vos!

É preciso continuar a fingir vida,
E, para multidão, para dar palmas,
até os mortos servem,
sem o peso das almas.


José Gomes Ferreira

Tirei do Blog Webclub

Poema dedicado ao General Passos Coelho, quando chegar a vez de derrotar o General Sócrates

LN

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Epístolas de estio CINCO

veeeeeeeeeeeeeeeeeeerde [tchap]

"Os domingos de Lisboa", poema

foto do blog Webclub

Os domingos de Lisboa são domingos
Terríveis de passar - e eu que o diga!
De manhã vais à missa aS. Domingos
E à tarde apanhamos alguns pingos
De chuva ou coçamos a barriga.

As palavras cruzadas, o cinema ou a apa,
E o dia fecha-se com um último arroto.
Mais uma hora ou duas e a noite está
Passada, e agarrada a mim como uma lapa,
Tu levas-me p'ra a cama, onde chego já morto.

E então começam as tuas exigências, as piores!
Quer's por força que eu siga os teus caprichos!
Que diabo! Nem de nós mesmos seremos já senhores?
Estaremos como o ouro nas casas de penhores
Ou no Jardim Zoológico, irracionais, os bichos?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Mas serás tu a minha «querida esposa»,
Aquela que se me ofereceu menina?
Oh! Guarda os teus beijos de aranha venenosa!
Fecha-me esse olho branco que me goza
E deixa-me sonhar como um prédio em ruína!...

Alexandre O'Neill

Tirei do Blog Webclub Agosto 2008
LN

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Epístolas de estio QUATRO

peixe peiche piche

Caracois, música

Debaixo dos caracois dos seus cabelos
Caetano Veloso




Que música bonita
LN

Tear, poema de Márcia Maia

TEAR

Não que seja a madrugada
preâmbulo do dia

tampouco réquiem ou epitáfio
de amor inacabado

mas um tempo que se arrasta
como se caminhassem
os ponteiros
ao avesso

não que sejas a razão da
minha insônia
ou que palpite o coração
ensandecido
à qualquer tênue recordação
de ti

(tenho-as tantas)

apenas fazes-me falta

e entornas essa tua ausência
imensamente calma

entre a cama e a janela
sobre o poema

onde desfio fio a fio a madrugada.


Márcia Maia

Tem um Blog bem interessante, Itenerário

Li no Blog Webclub
LN

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Epístolas de estio TRÊS

vemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm cá, se fazes a fineza

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Epístolas de estio DOIS

cheeeee cheeeeee [estrugido]

domingo, 1 de agosto de 2010