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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Espécie de luz - Poema
Espécie de luz...
É assim
espécie de luz
na ponta do nariz
a precisa pessoa
que nos arrebata
nos faz crescer
nos faz sonhar
nos faz feliz.
Teresa Martinho Marques
no Blog Sabor de Palavra
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
É Preciso Avisar toda a Gente!
É PRECISO AVISAR TODA A GENTE
É preciso avisar toda a gente,
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir.
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha.
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta.
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores.
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores.
João Apolinário
no Blog Cravo de Abril - http://cravodeabril.blogspot.com/2012/01/poema_09.html
É preciso avisar toda a gente,
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir.
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha.
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta.
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores.
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores.
João Apolinário
no Blog Cravo de Abril - http://cravodeabril.blogspot.com/2012/01/poema_09.html
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O Outro somos nós

Frei Bento Domingues
Frade da Ordem dos Dominicanos, teólogo, professor, escritor
Público, 31 de Julho de 2011
O outro somos nós
"
2.
Para quem pode, as férias são tempo de viagens, da ilusão do encontro com o outro. Hoje, já não é preciso viajar para encontrar as mais diversas gentes. José Augusto introduz o seu texto com um fragmento da Ode Marítima, de Álvaro de Campos:
“
As viagens, os viajantes – tantas espécies deles!
Tanta nacionalidade sobre o mundo! Tanta profissão!
Tanta gente!
Tanto destino diverso que se pode dar à vida,
À vida, afinal, no fundo sempre, sempre a mesma!
Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.
A fraternidade afinal não é uma ideia revolucionária.
É uma coisa que a gente aprende pela vida fora, onde tem que tolerar tudo
E passa a achar graça ao que tem de tolerar,
E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou!
Ah, tudo isto é belo, tudo isto é humano e anda ligado
Aos sentimentos humanos, tão conviventes e burgueses,
Tão complicadamente simples, tão metafisicamente tristes!
A vida flutuante, diversa, acaba por nos educar no humano.
Pobre gente! Pobre gente toda a gente! ”
Alain Badiou considera a Ode Marítima um dos maiores poemas do século XX. No entanto, para este filósofo é “impossível – e contudo real – que povos notoriamente orgulhosos da liberdade individual, da privacidade, dos direitos do cidadão e do homem, da singularidade e dos particularismos, se tenham transformado em pouquíssimo tempo numa massa de ovelhas, controlados, vigiados, espiados, monitorizados em toda a sua actividade através de uma tecnologia invasiva e lesiva da descrição e da delicadeza, tratados como malfeitores e terroristas potenciais, enlatados em meios de transporte semelhantes a carne de animal, frustrados, presos e misturados com a má educação generalizada, vexados pelo software que não prevê excepções, obrigados a uma vida programada nos mínimos detalhes e que elimina qualquer experiência do poético, que não deixa espaço para a meditação e para a elaboração da experiência, submersos por um cúmulo de idiotice e por uma publicidade asfixiante”.
3.
Invocando direitos humanos inalienáveis, umas vezes reclamamos o reconhecimento da singularidade de cada pessoa contra todas as formas de massificação. Outras, exigimos sistemas de vigilância e segurança que não permitam a preparação e o desenvolvimento de programas de destruição, como o realizado na Noruega. A sabedoria das nações ainda não consegue compaginar esta dupla exigência e, também, não pode prescindir de a procurar simultaneamente.
Não há soluções definitivas. Não se pode impor a ninguém que se torne o guarda da dignidade do outro. Já conhecemos, no entanto, a diferença entre os frutos da cultura do ódio e da cultura do amor. Até Setembro. "
Textos de Frei Bento Domingues
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Guardador de Rebanhos
O guardador de rebanhos
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Fernando Pessoa
Poemas de Fernando Pessoa no site de Romero Tavares
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Fernando Pessoa
Poemas de Fernando Pessoa no site de Romero Tavares
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Poema em Linha Recta
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa
Poemas Fernando Pessoa no site Romero Tavares
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa
Poemas Fernando Pessoa no site Romero Tavares
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Não , Não assino, Não subscrevo; Jorge de Sena
Mário Viegas
diz Poema de Jorge de Sena
Não, Não assino, Não subscrvo
Magnifico....
diz Poema de Jorge de Sena
Não, Não assino, Não subscrvo
Magnifico....
sábado, 9 de julho de 2011
Portugal , Jorge Sousa Braga
Portugal
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional (que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal
Estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete
Salazar estava no poder - nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre - nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
Gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge Sousa Braga
No Blog O Cheiro da Ilha
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional (que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal
Estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete
Salazar estava no poder - nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre - nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
Gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge Sousa Braga
No Blog O Cheiro da Ilha
sexta-feira, 1 de julho de 2011
"um amor", Nuno Júdice
Um amor
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão.
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus, do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.
Nuno Júdice
No blog Webclub
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão.
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus, do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.
Nuno Júdice
No blog Webclub
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Sonhar, poema Nuno Judice
Sonhei contigo
Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.
Nuno Júdice
No Blog WebClub
Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.
Nuno Júdice
No Blog WebClub
domingo, 19 de junho de 2011
"Momento", poema
Momento
Chegado o momento
em que tudo é tudo
dos teus pés ao ventre
das ancas à nuca
ouve-se a torrente
de um rio confuso
Levanta-se o vento
Comparece a lua
Entre linguas e dentes
este sol nocturno
Nos teus quatro membros
de curvos arbustos
lavra um só incêndio
que se torna muitos
Cadente silêncio
sob o que murmuras
Por fora por dentro
do bosque do púbis
crepitam-me os dedos
tocando alaúde
nas cordas dos nervos
a que te reduzes
Assim o momento
em que tudo é tudo
Mais concretamente
água fogo música.
David Mourão-Ferreira
no Blog WebClub
Chegado o momento
em que tudo é tudo
dos teus pés ao ventre
das ancas à nuca
ouve-se a torrente
de um rio confuso
Levanta-se o vento
Comparece a lua
Entre linguas e dentes
este sol nocturno
Nos teus quatro membros
de curvos arbustos
lavra um só incêndio
que se torna muitos
Cadente silêncio
sob o que murmuras
Por fora por dentro
do bosque do púbis
crepitam-me os dedos
tocando alaúde
nas cordas dos nervos
a que te reduzes
Assim o momento
em que tudo é tudo
Mais concretamente
água fogo música.
David Mourão-Ferreira
no Blog WebClub
domingo, 5 de junho de 2011
Eu sou português aqui!!! José Fanha
Vencido, mas não derrotados
Eu sou Português AQUI
José Fanha
"....
Eu sou a festa inacabada
quase ausente
Eu sou a briga
A luta antiga
Renovada
Ainda urgênte
Eu sou português aqui
o português sem mestre
mas com jeito
Eu sou português aqui
e tenho o mês de abril
a voar dentro do peito."
Eu sou Português AQUI
José Fanha
"....
Eu sou a festa inacabada
quase ausente
Eu sou a briga
A luta antiga
Renovada
Ainda urgênte
Eu sou português aqui
o português sem mestre
mas com jeito
Eu sou português aqui
e tenho o mês de abril
a voar dentro do peito."
SOMOS LIVRES
Votar é na Esquerda,
Eu apoio a CDU!
E o Jerónimo de Sousa!
Porque É possivel um país melhor!!!
Poema "Somos Livres"
José Fanha
Post repetido das eleições de 2009 (27 Stembro 2009)
Eu apoio a CDU!
E o Jerónimo de Sousa!
Porque É possivel um país melhor!!!
Poema "Somos Livres"
José Fanha
Post repetido das eleições de 2009 (27 Stembro 2009)
sábado, 4 de junho de 2011
Quantos seremos?; Miguel Torga
QUANTOS SEREMOS?
Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
Miguel Torga
Se não sabem em quem votar ,
votem CDU
Um voto de que nunca se arrependem.
Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
Miguel Torga
Se não sabem em quem votar ,
votem CDU
Um voto de que nunca se arrependem.
"Todo o Mundo é composto de mudança", Votar CDU
NOTICIAS CDU 2011
Comicio de Encerramento da Campanha eleitoral CDU
Largo Camões Lisboa
Jerónimo de Sousa cita poema de Luís de Camões
"Todo o Mundo é composto de Mudança
tomando sempre novas qualidades"
Mudam-se os tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luis de Camões
No Site http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_lvc.htm
Comicio de Encerramento da Campanha eleitoral CDU
Largo Camões Lisboa
Jerónimo de Sousa cita poema de Luís de Camões
"Todo o Mundo é composto de Mudança
tomando sempre novas qualidades"
Mudam-se os tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luis de Camões
No Site http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_lvc.htm
domingo, 22 de maio de 2011
Dificuldade de Governar, Poema de Brecht
Dificuldade de Governar
Bretolt Brecht
Dedicado ao Primeiro Ministro Sócrates e
Ministro das Finanças Teixeira dos Santos
Bretolt Brecht
Dedicado ao Primeiro Ministro Sócrates e
Ministro das Finanças Teixeira dos Santos
sábado, 21 de maio de 2011
ECCE HOMO
Poema dedicado ao Jerónimo de SousaEcce Homo
O homem que ainda ouve o eco do
mundo, que não se limita a olhar para
si próprio, que respira o estrume das
civilizações e o perfume da vida,
não tem tempo para este silêncio. A
sua voz nasce do mais fundo da ira
que aflige os que não sabem de onde
vêm; a sua dor cresce como a planta
que corrompe a alma dos que se
perderam, e não se lembram já para
onde vão. O homem de pé tem
a idade que lhe quiserem dar; os
seus braços erguidos são os de todos
os que os deixaram cair; os seus
olhos vêem o que já não sabemos
ver. Mas este homem precisa da nossa
voz, para que o silêncio não o
afaste de nós. Este homem continua
a hesitar, quando os gritos lhe chegam
de cada lado do horizonte. Este homem
tem no rosto o espanto do que fizemos;
e continua a andar, como se ainda houvesse
um rumo para os seus passos.
Nuno Judice

segunda-feira, 2 de maio de 2011
Pelo sonho é que vamos, Poema
Pelo sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
─ Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
─ Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Revolucionário, poema
O Revolucionário
Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse
Sophia de Mello Breyner Andresen

No Livro "Salgueiro Maia , Um homem da Liberdade",
António de Sousa Duarte
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25 Abril,
Leituras,
Literatura,
Poesia
sábado, 23 de abril de 2011
Dia Mundial do Livro - 23 Abril
Somos Livros
Se eu fosse um livro
começava por ter páginas grossas.
Com duas ou três palavras e muitas cores.
Se eu fosse um livro era um livro de aventuras. De piratas. De bons e maus.
De pernas de pau. Anos depois seria um livro revolucionário.
Proibido. Chamuscado. Passado de mão em mão. Ou então não.
Mais tarde tornava-me um livro de poesia. Um livro de amor.
Com paixão, tesão e até traição. Um livro resistente.
Que suportasse o sal das minhas lágrimas. Se eu fosse um livro era um clássico.
Para ler na cama. No silêncio da vida a dois. Depois seria um guia.
Que se lê no meio do banho, da tosse e do ranho.
Um livro que se trata com todo o carinho. Com o passar do tempo uma autobiografia.
Um livro de memórias. Com revelações e confidências. Com rugas na capa.
Cheio de páginas. Cheio de vida. Se eu fosse um livro era o ABC do rejuvenescimento.
Uma tentação para quando só nos resta a imaginação.
Se eu fosse um livro tinha muitos capítulos.
Só não queria ter fim.
Saiu hoje no Jornal Público - Somos Livros -
Livraria Bertrand - A Livraria mais antiga do mundo - Livro Guinness World Records
http://www.bertrand.pt/
Se eu fosse um livro
começava por ter páginas grossas.
Com duas ou três palavras e muitas cores.
Se eu fosse um livro era um livro de aventuras. De piratas. De bons e maus.
De pernas de pau. Anos depois seria um livro revolucionário.
Proibido. Chamuscado. Passado de mão em mão. Ou então não.
Mais tarde tornava-me um livro de poesia. Um livro de amor.
Com paixão, tesão e até traição. Um livro resistente.
Que suportasse o sal das minhas lágrimas. Se eu fosse um livro era um clássico.
Para ler na cama. No silêncio da vida a dois. Depois seria um guia.
Que se lê no meio do banho, da tosse e do ranho.
Um livro que se trata com todo o carinho. Com o passar do tempo uma autobiografia.
Um livro de memórias. Com revelações e confidências. Com rugas na capa.
Cheio de páginas. Cheio de vida. Se eu fosse um livro era o ABC do rejuvenescimento.
Uma tentação para quando só nos resta a imaginação.
Se eu fosse um livro tinha muitos capítulos.
Só não queria ter fim.
Saiu hoje no Jornal Público - Somos Livros -
Livraria Bertrand - A Livraria mais antiga do mundo - Livro Guinness World Records
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A livraria Bertrand do Chiado está em funcionamento desde 1732
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