O protesto de hoje não será violento, garantem os organizadores, poetas, gregos.
Há dias havia neve ao longe, hoje é 21 de Março. As colinas de Atenas estão cheias de giestas e papoilas. Tinha-me esquecido disto, a Primavera.
Estamos numa das avenidas que vai dar à praça Syntagma, onde há 150 anos se concentram os protestos de Atenas.
Um dos primeiros cartazes da manhã diz:
"Escrevemos para existir"
Então foi para isso que vim a Atenas , ver como os poetas fazem a cidade, parando o trânsito diante da policia de choque, unida em forma de carapaça para bloquear o acesso ao parlamento.
"Deixei a minha vida como um deserto para que me possam ver de toda a parte"
"Estamos vivos, Resistimos"
"Quando já não tivermos sangue, então começará o poema"
"É o sonho que não me deixa dormir"
Os nossos slogans são versos e isso significa que defendemos a cultura como fundamental, que esta crise não é apenas económica, social e política, mas cultural, ética - diz o poeta Yiorgus Chouliaras, organizador. Temos de trazer para a frente as forças criativas. A Poesia é uma forma de fazer as coisas e sem a poesia não poderemos atravessar a crise, não saberemos quem somos. Este protesto também muda a forma como as pessoas vêem os gregos. Escrevemos os poemas individualmente, mas não podemos estar nas nossas torres de marfim, não podemos ser autistas, porque a linguagem é colectiva, pertence às pessoas. A poesia pode ser um antídoto para a crise.
A ideia veio quando estavam a discutir o que fazer no dia internacional da Poesia, 21 Março.
- Se não fizermos o nosso futuro, outros o farão por nós. Se não fizermos poesia, outros escreverão o nosso poema.
Alexandra Lucas Coelho
Público , 1 Abril 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
António Zambujo - "Fui colher uma romã"
António Zambujo e Grupo de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento
Fui colher uma romã
Muito boa , Já não ouvia isto há seculos.
Fui colher uma romã
Muito boa , Já não ouvia isto há seculos.
António Zambujo - "Tenho o Alentejo na voz"
Descobri ontem António Zambujo.
E fiquei fã, muito boa música
Oiçam o tema "Trago o Alentejo na voz"
E fiquei fã, muito boa música
Oiçam o tema "Trago o Alentejo na voz"
Noticia que Envergonha o País
NOTICIA DO Jornal Público de 1 Abril de 2012
Restrições ao transporte de doentes dificultam acesso a tratamentos
Há doentes com cancro a deixar de se tratar por dificuldades económicas
O presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, diz, em declarações ao PÚBLICO, que lhe têm chegado "informações, sem carácter oficial, de que há doentes com cancro a faltar a consultas e a tratamentos de rádio e de quimioterapia, devido a dificuldades económicas".
INACEITÁVEL - INADEMISSIVEL - MISERÀVEL
Paisinho da Treta , Abandonar as Pessoas que mais Precisam, Que estão em Situação tão frágil à Sua Sorte...
Se Isto é Assim, Então não à sr. Ministro da Saúde e Primeiro Ministro que não tenha VERGONHA NA Cara ???
Restrições ao transporte de doentes dificultam acesso a tratamentos
Há doentes com cancro a deixar de se tratar por dificuldades económicas
O presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, diz, em declarações ao PÚBLICO, que lhe têm chegado "informações, sem carácter oficial, de que há doentes com cancro a faltar a consultas e a tratamentos de rádio e de quimioterapia, devido a dificuldades económicas".
INACEITÁVEL - INADEMISSIVEL - MISERÀVEL
Paisinho da Treta , Abandonar as Pessoas que mais Precisam, Que estão em Situação tão frágil à Sua Sorte...
Se Isto é Assim, Então não à sr. Ministro da Saúde e Primeiro Ministro que não tenha VERGONHA NA Cara ???
quarta-feira, 28 de março de 2012
PRIMAVERA
PRIMAVERA
GIFT
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
GIFT
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
domingo, 25 de março de 2012
Manifesto Branco (2)
Manifesto Branco
(continuação)
Talvez te pareça que já não podes ver com pureza, talvez te pareça que perdeste essa capacidade entre as coisas reais, como quem perde uma chave na rua, como quem perde a carteira. A diferença entre um sentido e uma chave ou uma carteira, por exemplo, é que um sentido pode materializar-se na palma da mão , não é feito de ferro.
Se precisares de renascer, renasce. É permitido renascer. Na verdade , nada é proibido.
Nada é proibido.
Pureza, repito a palavra apenas pelo prazer de articulá-la. Experimenta. Se te sentires ridículo ao fazê-lo, sabe que essa é uma armadilha que deixaste que te colocassem. Ignora-a. Diz: Pu-re-za. Ao fazê-lo, é como se cantasses no duche ou no trânsito. Sorri.
O que é um deus? Por favor, não me faças perguntas dessas. Faz perguntas para dentro de ti. Só as tuas respostas são válidas. O sol ilumina tudo. Senta-te ao sol e sente-o. Assim, com aliterações e tudo o que mereces. Tu és tão natural como uma árvore. As preocupações que te dobram a pele do rosto e que te apoquentam os músculos das costas, os pesadelos com que acordas de manhã podem dissolver-se no lago imaginário que fores capaz de criar diante de ti. Repara, é sempre fim de tarde nesse lago, tem sempre paz e descanso. Está tudo feito. Lá longe, os filhos reencontram os pais e contam-lhes as histórias de mais um dia que terminou.
Tão bom. A claridade a passar-te entre os dedos como fios de areia. Bebe água nessa fonte, enche-te. É uma fonte infinita e tu tens a composição desse mesmo infinito. Podes beber infinitamente.
Pureza, repito agora para que se instale e se respire. Retira a maldade até das coisas más. Se te sentires ingénuo ao faze-lo, sabe que, uma vez mais, essa é uma armadilha que deixaste que te colocassem. Se não conseguires evitá-la, ignorá-la, aceita a ingenuidade. A ingenuidade faz o sangue circular com mais fluidez do que o cinismo. A ingenuidade desconhece o colesterol. O cinismo é hipertenso.
Se apreciaste as referências iniciais à poesia portuguesa, aceita que a felicidade da ceifeira de Pessoa não é uma contradição do pensamento. Essa felicidade chega depois dele porque o pensamento inteligente dirige-se à felicidade. É possivel que não sejamos um nome, nem um corpo, nem uma alma. Tudo é possível, nada é impossível. Não deixes que te armadilhem de cálculos e labirintos. São demasiado fáceis de construir. Quando mal entendidos, são máquinas de guerra. E, no entanto, não há palavras más. Perante a pureza, deus, só há palavras boas. Avança no incandescente , na música sem muros.
Não existe horizonte nessa paisagem. Pureza, repete.
Tu tens direito à felicidade.
AGORA , VAI. Tens a Vida à espera de abraçar-te.
José Luis Peixoto
"Abraço"
(continuação)
Talvez te pareça que já não podes ver com pureza, talvez te pareça que perdeste essa capacidade entre as coisas reais, como quem perde uma chave na rua, como quem perde a carteira. A diferença entre um sentido e uma chave ou uma carteira, por exemplo, é que um sentido pode materializar-se na palma da mão , não é feito de ferro.
Se precisares de renascer, renasce. É permitido renascer. Na verdade , nada é proibido.
Nada é proibido.
Pureza, repito a palavra apenas pelo prazer de articulá-la. Experimenta. Se te sentires ridículo ao fazê-lo, sabe que essa é uma armadilha que deixaste que te colocassem. Ignora-a. Diz: Pu-re-za. Ao fazê-lo, é como se cantasses no duche ou no trânsito. Sorri.
O que é um deus? Por favor, não me faças perguntas dessas. Faz perguntas para dentro de ti. Só as tuas respostas são válidas. O sol ilumina tudo. Senta-te ao sol e sente-o. Assim, com aliterações e tudo o que mereces. Tu és tão natural como uma árvore. As preocupações que te dobram a pele do rosto e que te apoquentam os músculos das costas, os pesadelos com que acordas de manhã podem dissolver-se no lago imaginário que fores capaz de criar diante de ti. Repara, é sempre fim de tarde nesse lago, tem sempre paz e descanso. Está tudo feito. Lá longe, os filhos reencontram os pais e contam-lhes as histórias de mais um dia que terminou.
Tão bom. A claridade a passar-te entre os dedos como fios de areia. Bebe água nessa fonte, enche-te. É uma fonte infinita e tu tens a composição desse mesmo infinito. Podes beber infinitamente.
Pureza, repito agora para que se instale e se respire. Retira a maldade até das coisas más. Se te sentires ingénuo ao faze-lo, sabe que, uma vez mais, essa é uma armadilha que deixaste que te colocassem. Se não conseguires evitá-la, ignorá-la, aceita a ingenuidade. A ingenuidade faz o sangue circular com mais fluidez do que o cinismo. A ingenuidade desconhece o colesterol. O cinismo é hipertenso.
Se apreciaste as referências iniciais à poesia portuguesa, aceita que a felicidade da ceifeira de Pessoa não é uma contradição do pensamento. Essa felicidade chega depois dele porque o pensamento inteligente dirige-se à felicidade. É possivel que não sejamos um nome, nem um corpo, nem uma alma. Tudo é possível, nada é impossível. Não deixes que te armadilhem de cálculos e labirintos. São demasiado fáceis de construir. Quando mal entendidos, são máquinas de guerra. E, no entanto, não há palavras más. Perante a pureza, deus, só há palavras boas. Avança no incandescente , na música sem muros.
Não existe horizonte nessa paisagem. Pureza, repete.
Tu tens direito à felicidade.
AGORA , VAI. Tens a Vida à espera de abraçar-te.
José Luis Peixoto
"Abraço"
Manifesto Branco (1)
Manifesto Branco
PUREZA, ESTA PALAVRA. Os poemas de Sophia, os poemas de Eugénio, os poemas de Fiama, as crianças. Endeusa esta palavra. Uma palavra pode ser um deus, como um rio pode ser um deus (Ganges). Uma palavra pode ser um deus, como o invisivel pode ser um deus. Um significado pode ser um deus. Sorri.
Se eu descrevesseagora a pureza iria construir uma ordem de palavras diferente da tua e diferente da minha amanhã, ontem. Esta é uma certeza evidente. É assim porque eu e tu somos diferentes, porque eu agora sou diferente de eu amanhã, eu ontem. Os filósofos tiraram essas conclusões antes da electricidade. Não há um grande mistério nessa ideia apesar de ser a tentação de um poço e, já sabes, os poços servem sobretudo para cair. Não deixes que esse pormenor te impeça de nada.
Pureza , aceita essa palavra nos teus gestos, em cada uma das tuas palavras e, aos poucos, chegará ou regressará aos teus pensamentos. Nuvens e sombras hão-de dizer-te que não é assim tão fácil, tentarão desencorajar-te com todos os tipos de veneno e dependerás apenas de ti. Haverá rostos a transfigurar-se, vozes a adensar-se de noite e de morte, pedidos irrazoáveis, e só poderás contar contigo, com o teu corpo necessariamente magro, com a tua força a parecer-te insuficiente. Não há limites para a forma daquilo que se pode atirar no teu caminho, uma árvore, uma bomba, a polícia, a tua própria mãe. Continuar a enumerar essas dificuldades seria ceder perante elas, dar-lhes tamanho. Deves ignorá-las. Se lhes deres força, terão força. Deves cobri-las de branco, responder-lhes com aquela palavra-deus.
Pureza.
Define essa palavra apenas dentro de ti. Utiliza apenas os teus materiais, as tuas próprias palavras. Demoraste tanto a aprendê-las, pensa nisso. Deste-te a tantos trabalhos e a tanta vida. Talvez tenhas tido filhos em nome de definições, talvez tenhas amado e perdido, talvez tenhas passado meses a procurar diariamente alguma coisa que te pareceu que não encontraste, mas acabaste por encontrar qualquer outra coisa que te moldou e que te fez chegar aqui, com estes significados unicamente teus. Recolhe tudo isso, considera tudo isso. É essa a tua bagagem, as tuas ferramentas, tu és isso.
(...continua)
José Luis Peixoto
"Abraço"
PUREZA, ESTA PALAVRA. Os poemas de Sophia, os poemas de Eugénio, os poemas de Fiama, as crianças. Endeusa esta palavra. Uma palavra pode ser um deus, como um rio pode ser um deus (Ganges). Uma palavra pode ser um deus, como o invisivel pode ser um deus. Um significado pode ser um deus. Sorri.
Se eu descrevesseagora a pureza iria construir uma ordem de palavras diferente da tua e diferente da minha amanhã, ontem. Esta é uma certeza evidente. É assim porque eu e tu somos diferentes, porque eu agora sou diferente de eu amanhã, eu ontem. Os filósofos tiraram essas conclusões antes da electricidade. Não há um grande mistério nessa ideia apesar de ser a tentação de um poço e, já sabes, os poços servem sobretudo para cair. Não deixes que esse pormenor te impeça de nada.
Pureza , aceita essa palavra nos teus gestos, em cada uma das tuas palavras e, aos poucos, chegará ou regressará aos teus pensamentos. Nuvens e sombras hão-de dizer-te que não é assim tão fácil, tentarão desencorajar-te com todos os tipos de veneno e dependerás apenas de ti. Haverá rostos a transfigurar-se, vozes a adensar-se de noite e de morte, pedidos irrazoáveis, e só poderás contar contigo, com o teu corpo necessariamente magro, com a tua força a parecer-te insuficiente. Não há limites para a forma daquilo que se pode atirar no teu caminho, uma árvore, uma bomba, a polícia, a tua própria mãe. Continuar a enumerar essas dificuldades seria ceder perante elas, dar-lhes tamanho. Deves ignorá-las. Se lhes deres força, terão força. Deves cobri-las de branco, responder-lhes com aquela palavra-deus.
Pureza.
Define essa palavra apenas dentro de ti. Utiliza apenas os teus materiais, as tuas próprias palavras. Demoraste tanto a aprendê-las, pensa nisso. Deste-te a tantos trabalhos e a tanta vida. Talvez tenhas tido filhos em nome de definições, talvez tenhas amado e perdido, talvez tenhas passado meses a procurar diariamente alguma coisa que te pareceu que não encontraste, mas acabaste por encontrar qualquer outra coisa que te moldou e que te fez chegar aqui, com estes significados unicamente teus. Recolhe tudo isso, considera tudo isso. É essa a tua bagagem, as tuas ferramentas, tu és isso.
(...continua)
José Luis Peixoto
"Abraço"
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Adopção por casais homossexuais - Uma vergonha no Parlamento
Como é óbvio esta maioria de Direita mais uma vez vota contra e chumbou uma Lei que que iria aprovar a adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
Uma VERGONHA, na minha opinião para o País. Para além de ser justissima e sem nenhum problema de etica ou de moral, era talvez uma forma muito séria e eficáz de resolver o problema de tantas crianças que estão em instituições, sem que haja casais que se candidatem a adoptar.
Por Questões religiosas ou confessionais?, ou por puro preconceito para com este novos tipo de familias? , não sei,.. , não sei como é que se pode racionalmente negar esta possibilidade de ter mais pessoas que queiram ser pais e mães de crianças sem familia.
Acho que esta opção tomada na Assembleia da Republica é uma grande Hipocrisia e uma falta de respeito para com as pessoas que têm as suas opções sexuais alternativas e que são de tanto respeito como as nossas. Um enorme perconceito é o que isto demonstra.
Para mim isto que se passou ontem na assembleia é uma vergonha para Portugal.
Os Deputados que votaram contra esta Lei , e os seus dirigentes partidários , como o sr. Portas , e o sr. Passos Coelho, deveriam para serem coerentes irem já todos inscreverem-se para adoptar crianças.
Luis Neves
VIDEOS SIC - em "Maioria clara no PS a favor da adoção por casais homossexuais"
SIC: Maioria PS a favor da aoção por casais homossexuais
"Debate e votação na AR de projeto de Lei do BE e Verdes para legalização de adopção por casais do mesmo sexo"
SIC: Debate Votação na AR Projecto de Legalização de Adopção por Casais do mesmo sexo
Parlamento decide manter discriminação na adopção
Parlamento decide manter discriminação na adopção
Uma VERGONHA, na minha opinião para o País. Para além de ser justissima e sem nenhum problema de etica ou de moral, era talvez uma forma muito séria e eficáz de resolver o problema de tantas crianças que estão em instituições, sem que haja casais que se candidatem a adoptar.
Por Questões religiosas ou confessionais?, ou por puro preconceito para com este novos tipo de familias? , não sei,.. , não sei como é que se pode racionalmente negar esta possibilidade de ter mais pessoas que queiram ser pais e mães de crianças sem familia.
Acho que esta opção tomada na Assembleia da Republica é uma grande Hipocrisia e uma falta de respeito para com as pessoas que têm as suas opções sexuais alternativas e que são de tanto respeito como as nossas. Um enorme perconceito é o que isto demonstra.
Para mim isto que se passou ontem na assembleia é uma vergonha para Portugal.
Os Deputados que votaram contra esta Lei , e os seus dirigentes partidários , como o sr. Portas , e o sr. Passos Coelho, deveriam para serem coerentes irem já todos inscreverem-se para adoptar crianças.
Luis Neves
VIDEOS SIC - em "Maioria clara no PS a favor da adoção por casais homossexuais"
SIC: Maioria PS a favor da aoção por casais homossexuais
"Debate e votação na AR de projeto de Lei do BE e Verdes para legalização de adopção por casais do mesmo sexo"
SIC: Debate Votação na AR Projecto de Legalização de Adopção por Casais do mesmo sexo
Parlamento decide manter discriminação na adopção
Parlamento decide manter discriminação na adopção
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Desistir
DesistirUMA ÚNICA VIDA É POUCO. O rosto é demasiado rápido a mudar nas fotografias. As crianças imaginam tantas coisas acerca do mundo e, mais tarde, percebem que não conseguiram imaginar aquilo que era mais importante. Ainda crianças e já quase adultos, ainda levados por miragens e , no entanto, com a certeza absoluta de que não acreditam em nada, surpreendem-se com os braços que cresceram no espelho, com os truques que são capazes de fazer de olhos fechados, com os cigarros que começam a arder-lhes na ponta dos dedos e, arrogantes ingénuos, desejam que o tempo passe mais depressa, desejam que os anos passem mais depressa. Depois , a idade não conta. A idade não conta, mas um dia têm trinta anos, têm quarenta anos, um dia têm cinquenta anos. Os números deixam de ser números. Então, esqueceram tantas coisas e, no entanto, têm a certeza absoluta de que sabem tudo. Ridículos. Entretanto, apaixonaram-se e desapaixonaram-se; saltaram por cima de momentos que foram como abismos; existiu a casa; existiram todos os objectos da casa, divididos e arrumados em caixas de papelão; existiu a mágoa como se fosse o mundo inteiro, não era; existiram as pessoas que morreram mesmo ao lado, que pareciam eternas e que, devagar ou num instante, foram esquecidas; existiram as pessoas que estavam mesmo ao lado e que receberam telefonemas para comunicar-lhes que a mãe tinha morrido num hospital; e repetiram a vida continua, a vida continua; e o verão e o verão e o outono, a primavera, tão bom, e o verão, o outono, e o inverno. Um dia, acordam e o passado não é suficiente sequer para lhes encher a palma de uma mão.
E convencem-se de uma mentira diferente todas as manhãs para obrigarem o corpo a fazer cada movimento e, apesar disso, acreditam nessa mentira exactamente como se fosse verdade, excepto às vezes. E então cansados da mulher que, cansada, os olha ao serão e que , apesar disso, os enternece quando se debruça sobre o lavatório da casa de banho, com toalhas pelos ombros, para pintar o cabelo.
Pode então haver um momento em que o mundo pára. É nesse instante que se pode pensar: nunca quis ser aquilo em que me tornei, quis sempre não ser aquilo em que me tornei. Então, rodeados de fragmentos: uma existência inteira feita de vidro estilhaçado e espalhado no chão: o mais natural é baixarmo-nos e esticar as mãos para, com a ponta dos dedos , com cuidado, se começar a escolher cada fragmento e tentar perceber aquilo que se quer manter e aquilo de que se tem de desistir. Desistir, como morrer, não é sempre mau. Há vezes em que não se pode evitar. Todos nos dizem continua, continua, mas é o mundo que desiste, inteiro , à nossa volta.
Uma única vida é pouco. Para se fazer aquilo que se sabe, se pode, se quer e se deve fazer é preciso deixar muitas outras coisas para trás. Essa é a conclusão a que se chega logo no fim da adolescência. Quando os números deixam de ser números. Trinta, quarenta, cinquenta anos. As gerações sucedem-se Os degraus de uma escada rolante que desaparecem lá em cima enquanto subimos, subimos, olhamos para trás e ainda vemos o primeiro degrau, quase como quando tinhamos acabado de chegar e, no entanto, continuamos a subir e vemos já o fim. Os nossos avós mortos, os nossos pais mortos, nós, os nossos filhos, os nossos netos. E , se existir um horizonte, podemos olhá-lo e perceber finalmente que levamos o tempo dentro de nós.
Eu olho para esse horizonte, arrependo-me, não me arrependo e tento compreender ou lembrar-me daquilo que quero mesmo. Penso em tudo o que posso fazer para que aconteça: os gestos e as palavras. Então, hoje é um dia mais forte e, de repente, imenso.
Nesse instante dessa constatação , aceito tudo o que nunca fiz e que acredito que não terei vida suficiente para fazer. Num dia, avisado ou sem aviso, morrerei. Aceito essa certeza sem que ninguém me pergunte se estou disposto a aceitá-la. É então que me convenço finalmente de que nunca serei campeão de xadrez, nunca registarei uma patente, nunca conduzirei uma Harley-Davidson, nunca invadirei um pequeno país, nunca venderei relógios roubados aos transeuntes da Rua Augusta, nunca serei protagonista de um filme de Hollywood, nunca escalarei o monte Evareste, nunca farei uma colcha de renda, nunca apresentarei um concurso de televisão, nunca farei uma neurocirurgia, nunca ganharei a lotaria, nunca casarei com uma princesa, nunca ficarei viúvo de uma princesa, nunca me mudarei para Detroit, nunca farei voto de silêncio, nunca tocarei harpa, nunca serei o empregado do mês, nunca descobrirei a cura para o cancro, nunca beijarei os meus próprios lábios, nunca construirei uma catedral, nunca velejarei sozinho à volta do mundo, nunca decorarei uma enciclopédia, nunca despoletarei uma avalanche, nunca apresentarei cálculos que contradigam Einstein, nunca ganharei um Óscar, nunca atravessarei o canal da Mancha a nado, nunca parteciparei nos jogos olímpicos, nunca esfaquearei alguém, nunca irei à lua, nunca guardarei um rebanho de ovelhas nos Alpes, nunca conhecerei os meus tetranetos, nunca repararei a avaria de um avião, nunca trocarei de pele, nunca bombardearei uma cidade, nunca serei fluente em finlandês, nunca comporei uma sinfonia, nunca viverei numa ilha deserta, nunca compreenderei Hitler, nunca exibirei um quadro no Louvre, nunca assaltarei um banco, nunca darei um salto mortal no trapézio, nunca atravessarei a Europa de bicicleta, nunca lapidarei um diamante, nunca farei patinagem artística, nunca salvarei o mundo.
Ainda assim , além de tudo isto, há o universo inteiro.
José Luis Peixoto
Abraço
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