segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Três peças brancas a fugir de um jogo de damas

ooo

O sr. Primeiro-ministro é cego?

Saiu hoje no Blog do Tiago Mesquita 100 Reféns
no Expresso on-line

"O sr. Primeiro-ministro é cego? Estão a roubar-nos nos postos de gasolina!!!"



O que se passa com o preço da gasolina no nosso país para além de um escândalo é um autêntico roubo oligarquicamente organizado. A suposta regulação da AdC é uma anedota pegada. O Governo fecha os olhos. Uma palhaçada.

A diferença de 25 cêntimos por cada litro de gasolina entre Portugal e Espanha, e estou a falar de postos da mesma companhia - Galp, é não só uma vergonha para quem fornece esta gasolina, mas igualmente para quem supostamente deveria fazer a supervisão e regulação dos preços e atuar e finalmente para este triste Governo, que assiste a esta pouca vergonha de braços cruzados.

A última vez que enchi o depósito numa estação de serviço, depois de verificar o preço a que estava marcado o gasóleo, perguntei ao senhor que se encontrava ainda de "pistola" na mão se também queria que lhe entregasse a carteira, o telemóvel e as chaves da viatura. É que se é para me assaltarem ao menos façam-no em condições.

Deem-me por favor uns sopapos na tromba, violem-me contra uma acácia ou metam-me uma faca no bucho e abandonem-me numa valeta de uma estrada secundária,
porque assim sinto-me mais à vontade ao confessar às pessoas a forma violenta como fui brutalmente assaltado. Isto porque eles não entenderão se lhes contar a versão do senhor simpático de boné laranja na cabeça com quem ainda estive a falar do próximo FC Porto-Benfica enquanto ele passava o meu multibanco na ranhura. 15 euros já não tiram o ponteiro da reserva.

Já aqui escrevi uma vez sobre a estranha regulação que a AdC faz da forma como as companhias petrolíferas estabelecem os preços da gasolina, sobre a óbvia concertação de preços e sobre aqueles caricatos painéis que se encontram espalhados pelas autoestradas com os preços das diferenças companhias. A única reação normal que um estrangeiro pode ter ao deparar-se com um daqueles painéis informativos será dizer que os portugueses são tão atrasados mentais que precisam de painéis para informar que todas as estações de serviço daquela estrada, independentemente da companhia, praticam o mesmo preço.

O presidente da AdC (autoridade da concorrência) está para a regulação dos preços dos combustíveis em Portugal como Vítor Constâncio estava para a supervisão dos Bancos quando estava no Banco de Portugal.
Ambos mereciam um prémio de mérito da ACAPO, senão leia-se:

"O presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) explicou quinta-feira que quando os revendedores ou as petrolíferas "copiam preços" dos combustíveis entre si isso não constitui um ilícito de concorrência. " Fonte Sapo

Desculpem, mas isto é tão absurdo que me vou abster de comentar.

As bombas na fronteira do lado português estão a desaparecer. Neste momento já compensa fazer 80 km para ir abastecer a Espanha, seja de gás, gasolina ou gasóleo. Se a isto juntarmos o preço de todos o resto de produtos mais baratos que poderão ser adquiridos nesta viagem estamos a ver o impacto negativo da prática cartelizada de preços de combustível para a nossa economia, e o impulso positivo para a Economia da nossa vizinha Espanha. Portugal não é Europa. Somos um subúrbio ranhoso.


Boa Tiago. Concordo que isto é um autentico roubo nas estradas. É Pena que o Alentejo não seja já espanhol para os Lisboetas irem abastecer já ali a Vendas Novas.
Só não concordo com a última frase de sermos um suborbio ranhoso.
LN

domingo, 30 de janeiro de 2011

Deolinda - "Que Parva que eu sou!"




Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

Deolinda,
No Blog Ladrões de Bicicletas
LN

Um descarrilamento por motivo fortuito

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sábado, 29 de janeiro de 2011

"Gamasutra , a infinita arte do gamanço"

O Kamasutra não seria a prenda mais apropriada para a presente quadra. Nem sequer seria oferta original. Se é para dar um presente
que seja algo que fale do gosto de nos darmos, da identidade de quem dá. Por isso, este Natal vou dar um livro que traduza a nossa
originalidade e que, sendo publicação recente, cedo rivalizará com o célebre livro sobre os prazeres do amor. A longa lista de tentadoras
posições sexuais do Kamasutra cedo ficará esquecida perante o rasgão criativo desta outra obra. Falo, é claro, do “Gamasutra, a infinita
arte do gamanço”. Um manual ilustrado sobre a roubalheira como modo de viver. Começo deste modo, fazendo paródia junto à fronteira
do solene e do sagrado. Não o faço gratuitamente. Tenho uma intenção. Entenderão ao lerem, se assim tiverem paciência. O melhor do
Natal é a festa, a família, a sugestão de um mundo solidário. O tempo do verbo terá que ser, no entanto, alterado: o melhor do Natal já
foi o Natal. Porque uma descarada subversão do espírito natalício foi convertendo em mercadoria e comércio aquilo que parecia ser
generosidade pura e simples: darmo-nos nós, como somos, e tornarmo-nos mais próximos dos outros. Se ressuscitasse hoje, Cristo não
teria que abordar apenas os vendilhões de um templo. O mundo inteiro é um bazar onde tudo se compra e se vende. Incluindo o
chamado espírito natalício.
Rectifico o início desta crónica: o melhor do Natal é o espírito do Natal. Esse espírito não resiste à manipulação oportunista que a
imagem de um simpático mas estafado Pai Natal, vestido com as cores da Coca Cola, apenas confirma a lógica de lucro a que nem os
mitos escaparam. Um dos piores tormentos dos novos tempos de Natal são as mensagens feitas a metro. Por via de email, de telefone
celular, as mensagenzinhas entopem as caixas de correio e obrigam-nos a um exercício penoso de as apagar às dúzias. Corro o risco de
ser ingrato. Mas eu peço aos meus amigos: não me enviem mensagens natalícias. Mandem-mas ao longo do ano, sobretudo, mandemnas
sem necessidade de data especial, com a originalidade e a graça que a verdadeira amizade requerem. A obrigação de trocar
mensagens com amigos é algo de nobre. Mas também aqui aconteceu a banalização. Fórmulas repetidas, clichés sem gosto, fizeram da
humana troca de emoções aquilo que os maus políticos fizeram ao discurso oficial: um desfile de frases feitas, em construção previsível,
vazio de ideias, incapaz de comunicar ou de comover o mais ingénuo dos cidadãos. Pediram-me há dias, num programa de televisão,
que formulasse um desejo para o nosso país. A dificuldade primeira é escolher um único desejo quando os votos que trazemos são
sempre múltiplos. Sentado ante a câmara de filmar demorei um tempo, navegando entre brumas e luzes. Acabei escolhendo uma meia
fórmula, optei pelo seguro. Fiz mal. Porque o que mais queria ter formulado era uma espécie de anti-voto. Ou seja, eu devia ter falado
daquilo que eu não queria que acontecesse. Seria o meu voto pela negativa. Disse o que todos dizemos: que o ano próximo seja um
momento de construção de riqueza. Mas de riqueza nacional. E não de uns poucos. A miséria é, infelizmente, fértil nesse paradoxo: em
vez de produzirmos riqueza, produzimos ricos. Antes fossem ricos. Porque são apenas endinheirados. E endinheirados que não
produzem. Faço aqui, pois, o voto pela via da negação: o que eu mais queria que deixássemos de ser. E escolho: que virássemos costas
ao roubo. Já não falo da prática generalizada que tomou conta das colunas dos jornais. Não falo apenas desse roubo que se estende dos
medicamentos, aos cabos de fibra óptica, dos passaportes ao carris de comboio, das condutas de combustível a painéis solares para
fontes de água. Não falo só do furto que causa milhões de dólares de prejuízo a companhias de electricidade, telefone e águas. E que
nos torna mais pobres a todos nós. Não falo sequer desse outro espantoso roubo que faz com que, na berma das estradas, se comece
por roubar os pertences dos sinistrados em lugar de lhes prestar socorro. Falo de outra roubalheira que se infiltrou no tutano do nosso
corpo enquanto nação: a ideia que roubar é legítimo por causa da pobreza. Ou por causa da escassez de tempo que o político tem por
mandato. Ou por causa de qualquer outra razão. Falo de outros níveis de roubo: o roubo da esperança pelos políticos, o roubo da
propriedade pública pelo gestor, o roubo da História e da memória por aqueles que se acham a geração de estreia nacional. Falo dessa
roubalheira que é a corrupção, lenta hemorragia que nos pede insidiosa habituação. Falo do roubo do pensamento crítico por aqueles
que fazem uso da ameaça velada, da censura subtil ou da arrogância e desprezo pelo debate aberto.

Numa palavra, o roubo no nosso
país já não é um simples somatório de casos policiais, uma onda crescente que se destaca de um mar são. O furto tornou-se numa
cultura, num sistema. Tornou-se regra. Somos hoje um país em permanente assalto a si mesmo. E nenhuma nação, por mais bem que
esteja no caminho do progresso, pode conviver com uma doença assim.

Mia Couto, in "Sábado, 01 Janeiro 2011"

No Blogue WebClub da Wind

LN

Uma imagem vale mais que mil palavras

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

É fácil, é barato, dá milhões

Durante a campanha das presidenciais, Cavaco Silva fartou-se de alertar - ele é um alertador nato - para a tragédia que cairia sobre Portugal e os portugueses se ele, Cavaco, não fosse reeleito - isto, ao mesmo tempo que, em palavras, se manifestava contra todas as malfeitorias que, em actos, aplaudira e aprovara...

Nos últimos dias da campanha, o alertador alertou para as consequências aterradoras de uma eventual segunda volta nas eleições: se tal acontecesse, alertava Cavaco, os juros da dívida voltariam a subir e era um desastre - coisa que não aconteceria se ele, Cavaco, fosse reeleito à primeira volta...

Vindos de um perito nas matérias em questão, os cavacais alertas foram, de imediato, amplificados pelo bando de papagaios peritos em todas as matérias que são os «comentadores», «analistas», «politólogos» & seus derivados.
Assim, os portugueses ficaram a «saber» - dito por todos os jornais, rádios e têvês - que, caso não elegessem o Cavaco à primeira volta... estavam tramados...
E elegeram-no.
E estão tramados.

Soubemos ontem pelos jornais que, com Cavaco eleito à primeira volta..., «os juros da dívida subiram para a taxa de 7, 12%»...
Ontem também, os mesmos jornais noticiaram que «milhares de portugueses já não conseguem pagar a água, a luz, o gás, o telefone»...
E foi confirmada a notícia das «novas condições para o despedimento» de trabalhadores que a santíssima trindade - patrões, governo & ugt - está a preparar, com vista a fazer do despedimento de trabalhadores o totoloto dos patrões:

é fácil, é barato e dá milhões...

Valha-nos a luta de massas!

de Samuel, Blog Cravo de Abril

Como escreveram num comentário ao texto anterior, que estou sempre publicar textos do mesmo Blog, e que não sou polido, então hoje vou pôr um texto do Blog Cravo de Abril.
Recomendo ao leitor Alcides Cunha a leitura deste Blog, que é muito melhor que este.

E claro, se quiser ler revistas muito Polidas, e brilhantes, pode ir a um quiosque e leia a "Caras", ou a "VIP", ou revista do "Correio da Manhã" de Domingo.
Já não vai lá encontrar são as crónicas do Carlos Castro. Também não se pode ter tudo.
LN

A vida depois da morte

morte vida

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Agora o Governo e o Presidente Cavaca já podem destruir à vontade

Enquanto milhões de portugueses decidiram ficar em casa e muitos outros andaram a “reinar” com o seu direito de voto, votando num “bobo”, como Manuel Coelho, ou num demagogo vazio e populista, como Fernando Nobre, ao mesmo tempo que ignoravam a mensagem do único candidato que falou dos seus problemas, dos problemas reais do país, propondo soluções de ruptura com esta política de declínio... o pascácio Aníbal fez-se reeleger à primeira volta por uma “maioria” de cerca de um quarto dos eleitores inscritos.

Enquanto isso, como dizia, os mesmos de sempre, aqueles que estes mesmo eleitores vão elegendo alternada e cegamente, para legislar, governar e governarem-se, estavam a preparar e cozinhar entre eles mais esta. Ora aí têm!!!
Despedimentos: Indemnizar vai ficar mais barato
Despedir vai custar menos um terço nos novos contratos

Trabalhadores vão “financiar o próprio despedimento”, alerta CGTP
Salários podem cair por causa das novas regaras das indemnizações


Vá... fiquem em casa! Abstenham-se!
Votem! Votem neles!


É difícil combater a escravatura quando das correntes e dos chicotes apenas se veem as feridas... e tantos, tantos dos escravos desistiram de lutar pela liberdade.

Samuel

Post do Blog Cantigueiro - Marcados a ferros

LN

Restolhado sem qualquer obrigação

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