sexta-feira, 31 de julho de 2009

Promessas em Saldo

O preço das promessas atingiu nestes dias mínimos, como costuma dizer-se, históricos. Já ninguém lhes pega e as prateleiras dos programas partidários estão cheias de monos. A oferta é excessiva e não parece, pelos resultados das europeias, que a procura de promessas pelos portugueses estique mais depois de todas as não cumpridas da última legislatura.
Agora são 200-euros-200 a cada bebé que nasça, que o Governo, se voltar a ser Governo, porá no banco para serem levantados pelo feliz contemplado quando fizer 18 anos e puder votar PS. Aos bebés uma tal promessa não dirá muito, mas, a crer nas taxas brutas de natalidade divulgadas pelo INE, significará para a banca (a verdadeira feliz contemplada da coisa) mais 20 milhões do Orçamento de Estado todos os anos. Isto se os portugueses, excitados pelos 200 euros (o dinheiro tem reconhecidas virtudes eróticas) não desatarem a fazer filhos em vez de ficarem a ver o 'Prós e Contras' e a telenovela. Não se percebe bem é porque é que o PS, ao mesmo tempo que paga aos portugueses para fazerem filhos, se propõe distribuir gratuitamente preservativos.


Manuel António Pina *

Aqui está um escritor que gosto muito. Tem uma coluna no Jornal de Noticias que vale a pena seguir. A Ler sempre.

Outro artigo sobre as transferências de verão , Notícias do Defeso


* Li Blog A Educação do meu Umbigo

LN

A thousand kisses deep

you live your life as if it's real

Promessa "Genial"

UMA PROMESSA “GENIAL”
O Aparelho Socialista, na sua versão “neo-graxista”, em vez de dar descanso àquelas cabeças que estes quatro anos desgastaram com tanto estudo, tanto ensaio, e tanto decreto que só podem estar saturadas e desnorteadas, resolveu entrar numa onda infinita de promessas que, ou muito me engano, ou vai desfazer-se, mais tarde ou mais cedo, numa vasta manta de espuma.

Com aquele ar soberano de reis-magos carregados de prendas, os socialistas vieram agora, meio a brincar meio a sério, prometer aos jovens casais que, se trabalharem com todo o afinco ( e consequente prazer), no aconchego da sua cama, cada um dos novos rebentos tem conta aberta no banco, no valor nominal de duzentos euros limpinhos.

Não venham dizer agora que o governo de Sócrates não tem preocupações sociais. Duzentos euros por cada “raparigo”, é obra! E agora acrescentem-lhe os milhares de cêntimos que a “conta pró- natalícia” irá somar em juros a prazo obrigatórios…

Mas não devem esquecer que há sempre um “mas” nas coisas boas da vida. E neste caso, a “areia no sapato” é o tempo que a continha do pequerrucho deve permanecer inviolável. Uma porrada de anos! Dezoito, mais precisamente!! Chiça!!!

Talvez o que Sócrates pede, bem vistas as coisas, nem será nada demais. Basta ter paciência, e esperar. Com a possibilidade de, ainda por cima, engrossar ( um pouquinho que seja) a maquia.

E olhem que o raio da ideia até tem o seu “quê”de genial. Senão vejamos: O Estado dá 200 euros por cada nova criança, não é? Ora, o casal, para além do milagre divino lhe “oferecer” a criança, vê o milagre de Sócrates depositar duzentos euros numa conta bancária, em nome da dita! E, assim, do pé para a mão, o casal fica um pouco mais rico.

Mas, e o Estado não fica mais pobre?

Pois aí é que está a genialidade da coisa: Sócrates dá 200 euros por cada criança, não é? Contudo, esse mesmo dinheiro lá continua alegremente a circular por quem o “sabe fazer circular”, digo eu. E os pais da criança, em geral, ( excepto os que também mexem bem no dinheiro) não podem, com muita pena deles, gastar o dito numas botinhas para a criança que já sabe andar de pé; nem lhe podem comprar os livros quando for para a escola; e nem mesmo, na mesada do décimo ano, pode dispor do dinheiro!

E agora uma pergunta: Será que quando puderem levantar a desejada oferta, a continha do menino, que até já namora, não estará, nessa altura, enigmática e surpreendentemente, a zero? É que o gerente, poderá ter ido compulsivamente para a reforma, se fizer como “aquele que emprestou dinheiro, sem qualquer garantia, a um amigo político, que tinha estado no governo, no tempo de Sócrates.

E agora digam quem pagará à ex-criança o dinheiro que todos juravam a pé juntos que lhe pertencia, SÓ a ela…

Cunha Ribeiro

Retirei do Blog A Educação do meu Umbigo

Muito bem pensado... LN

Lua - Mayra Andrade

Música de Cabo Verde, Mayra Andrade



LN

Soneto da separação - Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

(em Webclub) LN

quinta-feira, 30 de julho de 2009

artigo de Frei Bento Domingues

Vale a pena ler este artigo

Não há falta de recursos

Frei Bento Domingues, Público, 26 Julho

No Blog Anomalias

LN

Menina dos olhos de água - Pedro Barroso


No Blog Nadir - http://zenitenadir.blogspot.com
LN

Justiça, Liberdade em chinês

Fà´
maneira, método

encarregar-se de, dirigir



sï fà´
Justiça, administração da Justiça ministério da Justiça


Zì - próprio, mesmo

Yóu
Causa, Motivo , Razão



zì yóu

Liberdade, reino da liberdade

LN

A única coisa que percebi

estou disposto a deslembrar

Liberdade - Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

(em Webclub) LN