sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Homem do Censo

Hoje de manhã ouvi o "SINAIS" de Fernando Alves da TSF, e vale a pena ouvir este programa na TSF.

"Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade."

Sinais
De Segunda a Sexta, 08h50m





Texto saiu no El Pais


TRIBUNA: PABLO DE SANTIS
Muerte con las calles vacías

"El día había empezado distinto y casi irreal: era el día del censo. Cada diez años, contamos cuántos somos, cómo están integradas las familias, dónde vivimos, y qué grado alcanza la deserción escolar. ¿Tiene su casa agua corriente? ¿Cuántos integrantes de la familia tienen un trabajo estable? El censo cambió completamente la fisonomía de la ciudad, aún más que un feriado. Negocios cerrados por ley, y el pedido del gobierno de que permaneciéramos en nuestras casas. Las calles de Buenos Aires, siempre llenas de automóviles y peatones, quedaron desiertas; el ruido de las bocinas y los motores fue reemplazado por el canto de los pájaros. A pesar de que los chicos no tenían que ir al colegio, me levanté temprano. Como todas las mañanas, encendí la radio: en los noticieros casi no tenían noticias que dar. Con buen tino, los locutores incitaban a que los vecinos de la ciudad recibiéramos bien a las maestras y maestros encargados de la tarea, y que los invitáramos con un café con leche. El habitual reporte de accidentes de tráfico fue suspendido por falta de choques. Era un día perfectamente irreal, miércoles disfrazado de domingo y llevado a su quintaesencia. Todos estábamos en casa con nuestras familias y haciendo planes para la tarde. ¿A quién visitaríamos?

Pasadas las 9 llegó la noticia de la muerte de Kirchner que golpeó en cada casa como si se tratara de otro extraño censo, encargado de averiguar nuestras reacciones ante lo inesperado. Cada vez que llueve, sentimos que vemos la lluvia por primera vez, que nos habíamos olvidado de que existía. Con la muerte ocurre algo parecido: nos llega la noticia de que ha muerto el ex presidente, pero a la vez la noticia de que existe la muerte, como si no lo supiéramos del todo. Kirchner era la imagen misma de la vitalidad; los conflictos, que a las personas comunes nos desgastan, a él parecían alimentarlo. Inclusive su problema cardíaco, lejos de mostrarlo como alguien vulnerable, aumento su imagen de vitalidad, ya que salió de la clínica casi de inmediato, como si una operación así fuera semejante a una torcedura de muñeca o un raspón. Ya nadie hablaba de su salud, solo de las elecciones del año que viene, y de las probables alianzas. En medio de la paz sobrenatural, su muerte aumentó la sensación de irrealidad, como si nuestras ciudades desiertas hubieran sido el escenario largamente preparado para que recibiéramos la noticia.

Pero otra cosa hará que nos quede en la memoria la relación entre el censo y la muerte de Kirchner. Desde siempre hemos sido un país que se pregunta por su identidad. Incesantemente hemos buscado que nos respondan cómo somos, como si hubiera una evanescente esencia, siempre en fuga, que sólo un ojo ajeno pudiera descubrir. Visitantes como Ramón Ortega y Gasset y Julián Marías, en épocas distintas, tuvieron esa misión de oráculos importados. Y cada censo reactualiza esas cuestiones, como si los números fueran una lengua encriptada que permite acercarnos a una demorada y secreta verdad. Kirchner encarnó como nadie los enfrentamientos de la política argentina. Todo giró a su alrededor estos últimos años, y ahora ese centro ha quedado vacío. Su muerte pasa una planilla con preguntas que todavía no se pueden responder.

Pablo de Santis es escritor argentino.
LN

Homenagem tardia ao peixe batata cozida com casca do Oceanário de Lisboa

para .........................para .. ....para .............para ..

WebClub: Há dias


WebClub: Há dias

Li e Copiei do WebClub

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.


Eugénio de Andrade

Mais cores para o Blog

LN

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Entremeada com presunto da mesma longura e espessura à direita

=

WebClub: Que música escutas tão atentamente


WebClub: Que música escutas tão atentamente

Copiei do Blog WebClub

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade

Para dar um pouco de Côr ao Blog


LN

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A questão espaço tempo

atentada nas datas

PS e os seus deputados sem vergonha


No Blog 100 Reféns


Crise: Deputado esfomeado reivindica jantar na cantina da AR

O deputado do PS Ricardo Gonçalves gostava de ter a cantina da AR aberta ao jantar. Isto porque 3700€/mês que aufere "não dão para tudo". Fiquei com um "aperto no coração" ao ler isto.
Pensava que nada me podia surpreender na política, mas eis que um deputado me acorda para a triste realidade: Portugal. O absurdo é o limite. O horizonte da estupidez ganha novos desígnios e contornos todo o santo dia. Ao deputado Ricardo Rodrigues dos gravadores junta-se agora o deputado Ricardo Gonçalves das refeições.

Se o primeiro meteu gravadores no bolso. Este afirma que o que lhe põem no bolso não chega para tudo, mesmo que seja um valor a rondar os 3700€/ mês. Uma miséria. "Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer" Correio da Manhã (vou fazer uma pausa para ir buscar uns kleenex...)

O corte de 5% nos salários irá obrigá-lo, como "deputado da província", a apertar o cinto e consequentemente o estômago, levando-o a sugerir com ironia mas com seriedade (!?) a abertura da cantina da AR para poder jantar. Uma espécie de Sopa dos Pobres mas sem pobres e sem vergonha. Só com políticos, descaramento e sopa.

"Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" Valerá a pena acrescentar alguma coisa? Não me parece. Só dizer que as almôndegas que comi ao jantar não se vão aguentar no estômago durante muito tempo depois de ter feito copy/paste desta declaração

Mas continuando a dar voz ao Sr. Deputado: "Estamos todos a apertar o cinto, e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira". Pois é, coitadinhos, andam todos a pão e água. Alguns são meninos para largar os bifes do Gambrinus.

Bem sabemos que os grandes sacrificados do novo pacote de austeridade do Governo vão ser os senhores deputados. Ninguém tinha dúvidas quanto a isto. E ajuda a explicar o "aperto de coração" que o Primeiro-Ministro sentiu ao ter de tomar estas "medidas duras". Sabia perfeitamente que ao fazê-lo estava a alterar os hábitos alimentares do Sr. Deputado Ricardo Gonçalves, o que é lamentável.

Que tal um regresso à província com o ordenado mínimo e um pacote senhas do Macdonalds? Ser deputado não é o serviço militar obrigatório. Pela parte que me toca de cidadão preocupado está dispensado. Não o quero ver passar necessidades.

Há quem sobreviva com pensões de valor equivalente a 4 dias de ajudas de custo do senhor deputado. Quem ganha o ordenado mínimo está habituado a privações, paciência. Agora com 3700€ por mês e 60€/dia de ajudas compreendo que seja mais difícil saber onde cortar. Podíamos começar por cortar na pouca-vergonha. Mas isso seria pedir demais.

LN

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Tessitura de oboé com lamento a 27,50

1568,00 úi

Falta de vegonha atroz!


Outro belissimo texto do Tiago Mesquita
no Blog 100 Reféns


Gastar 1,5 mil milhões com a Força Aérea? Vamos bombardear a Galiza?

O governo anuncia medidas duras que vão afectar negativamente a economia, a vida de todos e abrir portas à recessão. O que fez a seguir? Manteve 1,5 mil milhões para gastar em aviões e afins. Viva a contenção.

"O Governo vai prosseguir, apesar da crise e dos programas de contenção orçamental, o processo de modernização da Força Aérea Portuguesa (FAP) que envolve investimentos superiores a 1,5 mil milhões de euros, dos quais dois terços ainda estão por realizar." DN

Augusto Santos Silva aterrou em Beja (não podia ir de carro?) para observar o primeiro dos cinco aviões P-3 adquiridos. Estive quase a adjectivar o avião de "novinho em folha" mas lembrei-me que o Governo vai gastar 200 milhões em aviões holandeses em segunda mão. Costuma dizer-se "negócio da China" para caracterizar um bom negócio. Digamos que este foi um "negócio de Portugal". Umas pechinchas com duas asas (esperemos).

Faz lembrar o português que vai ao estrangeiro comprar um Mercedes com 980 mil quilómetros e depois anda por aí a passear num 89-09-KC, o mesmo táxi em que 50 mil portugueses já passearam nas ruas de Geneva. Mas é um Mercedes...enfim

Não chegaram os F16 a cair de podre que fizemos o favor a alguém de trazer do último leilão-dos-países-pobres-que têm-a-mania-que-vão-à-guerra. Agora foi pior. Comprámos aviões holandeses por 80 milhões depois pagámos 120 milhões a uma empresa americana para modernizá-los. Grande negócio. Um verdadeiro "Pimp my plane". Aposto que os holandeses meteram de imediato um laçarote gigante em cada avião e encheram o porão com tulipas, chocolates e tamancos típicos de vários tamanhos.

"O ramo tem em curso outros investimentos: a modernização dos caças F-16 (500 milhões de euros) " Esta é de rir: 500 milhões para "transformar" os F-16? Em quê? Em F-16 com faróis de xénon e jantes de liga leve? Alguns já são só e apenas carcaça. Com o tempo foram cedendo peças aos "primos" menos danificados e que se encontravam em lista de espera para transplante.

Augusto Santos Silva disse que os portugueses "compreendem bem" esse tipo de investimento: "Não se gasta muito dinheiro, faz-se o investimento estritamente necessário para a defesa militar da nossa soberania." Quem? Fale por si. Augusto santos Silva pode dizer o que quiser, disparates inclusive (e tem um certo jeito) como se viu pelo patético "não se gasta muito dinheiro". Como se 1,5 mil milhões fossem trocos. "Defesa miitar da nossa soberania?" Estamos com medo de quem e do quê? O FMI tem braço armado? Simplesmente ridiculo.

Pois eu sou português e não compreendo como é que um governo que pede os sacrifícios que pediu tem a distinta lata de na mesma semana anunciar gastos e manter investimentos desta natureza, com 2/3 da fatia gigantesca dos 1,5 MIL MILHÕES por pagar dado que são investimentos ainda por realizar. Mais um elefante a aterrar nas contas públicas. É de uma falta de vergonha atroz.
LN