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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Guardador de Rebanhos

O guardador de rebanhos

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,



O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.



O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.



Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.



O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Fernando Pessoa


Poemas de Fernando Pessoa no site de Romero Tavares

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Poema em Linha Recta

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Fernando Pessoa

Poemas Fernando Pessoa no site Romero Tavares

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amnistia Internacional - 50 Anos - Parabéns - U2



U2 joined the celebrations for the 50th Anniversary of Amnesty at the Canad Inns Stadium in Winnipeg, Canada last night (May 29th, 2011).

With a pint of Guinness in hand, Bono made a toast from the stage, "Tonight is Amnesty International's 50th birthday. Fifty year's ago Amnesty was formed because two Portuguese students were imprisoned for seven years for raising a toast to freedom... so in their honour - tonight we raise a toast to freedom and might you join us to sing happy birthday to Amnesty International"

The 50,000 strong Canadian crowd joined U2 in a rousing version of "Happy Birthday".

Burmese pro-democracy leader, Aung San Suu Kyi appeared on the cylindrical screen above the stage, with a video message for the crowd, "We are not bystanders in our own history, every one of us writes a story that is told... I see it through your support for Burma, for Amnesty International. Where basic human rights are denied or basic human needs are not met, the struggle may be hard, it make take time... but if we demand it, change will come."

A não perder

Vi No Site da Amnistia
http://www.amnistia-internacional.pt/
Amnistia Internacional-Portugal

quinta-feira, 7 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Homenagem Adriano Correia de Oliveira; Manuel da Fonseca



Tejo que levas as águas
Adriano Correia de Oliveira


«Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar.

Lava-a de crimes espantos
de roubos fomes terror
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amor.

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro.


Lava palácios vivendas
casebres bairros de lata
leva negócios e rendas
que a uns farta a outros mata.

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas.

Lava avenidas de vícios
vielas e amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais.

Afoga empenhos favores
vãs glórias ocas palmas
leva o poder de uns senhores
que compram corpos e almas.


Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo.

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar».

Manuel da Fonseca

sábado, 2 de abril de 2011

Lusitânia no Bairro Latino; António Nobre

Lusitânia no Bairro Latino

III

Georges! anda ver meu país de romarias
E procissões!
Olha estas mocas, olha estas Marias!
Caramba! dá-lhes beliscões!
Os corpos delas, vê! são ourivesarias,
Gula e luxúria dos Manéis!
Têm orelhas grossas arrecadas,
Nas mãos (com luvas) trinta moedas, em anéis,
Ao pescoço serpentes de cordões,
E sobre os seios entre cruzes, como espadas,
Além dos seus, mais trinta corações!
Vá! Georges, faz-te Manel! viola ao peito,
Toca a bailar!
Dá-lhes beijos, aperta-as contra o peito.
Que hão-de gostar!
Tira o chapéu, silêncio!
Passa a procissão

Estralejam foguetes e morteiros.
Lá vem o Pálio e pegam ao cordão
Honestos e morenos cavalheiros.
Altos, tão altos e enfeitados, os andores,
Parecem Torres de David, na amplidão!

.....

Dança de roda moças o coveiro.
Clama um ceguinho:
«Não há maior desgraça nesta vida,
que ser ceguinho!»
Outro moreno, mostra uma perna partida!
Mas fede tanto, coitadinho...
Este, sem braços, diz «que os deixou na pedreira...»
E esse, acolá, todo o corpinho numa chaga,
Labareda de cancros em fogueira,
Que o sol atiça e que a gangrena apaga,
Ó Georges, vê! que excepcional cravina...

Que lindos cravos para pôr na botoeira!

Tísicos! Doidos! Nus! Velhos a ler a sina!
Etnas de carne! Jobes! Flores! Lázaros! Cristos!
Mártires! Cães! Dálias de pus! Olhos-fechados!
Reumáticos! Anões! Delíriums-trémens! Quistos!
Monstros, fenómenos, aflitos, aleijados,
Talvez lá dentro com perfeitos corações:
Todos, à uma, mugem roucas ladainhas,
Trágicos, à uma, mugem roucas ladainhas,
Trágicos, uivam «uma esmolinha plas alminhas
Das suas obrigações!»
Pelo nariz corre-lhes pus, gangrena, ranho!
E, coitadinhos! fedem tanto – é de arrasar...

Qu'é dos Pintores do meu país estranho,
Onde estão eles que não me vêm pintar?

António Nobre
Paris, 1891-1892

Poema Completo
no site Triplov António Nobre

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ajuda de Todos os Santos; Lusitânia , poema de António Nobre

Lusitânia no Bairro Latino

2


Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas de gaivotas!

Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí,
avista-se lá fora!
E quando a onda vem,
fincando-a com toda a forca,
Clamam todas à urra: «Agora! agora! agora!»

E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)

Que vista admirável! Que lindo! Que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas,
sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:
Senhora Nagonia! Olha acolá!

Que linda vai com seu erro de ortografia...
Quem me dera ir lá! Senhora Daguarda!
(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda O caçador!
Senhora d'ajuda!
Ora pro nobis!
Caluda!
Semos probes!

Senhor dos ramos
Istrela do mar! Cá bamos!
Parecem Nossa Senhora, a andar.
Senhora da Luz!
Parece o Farol...

Maim de Jesus! É tal e qual ela, se lhe dá o sol!
Senhor dos Passos!
Sinhora da Ora!
Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços

Parecem ermidas caiadas por fora...
Senhor dos Navegantes!
Senhor de Matosinhos!
Os mestres ainda são os mesmos dantes
- Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vasco da Gama, que andam a ensaiar...
Senhora dos aflitos!
Mártir São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!

O lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz! Ainda lá vejo o Zé da Clara,
os Remelgados, O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes,
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes,
«As armas e os varões assinalados...»

Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira,..
Como ela corre! com que força o Vento a impele:
Bamos com Deus!
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com Ele
Por esse mar de Cristo...
Adeus! adeus! adeus!
António Nobre


quinta-feira, 24 de março de 2011

Poema , Joaquim Pessoa

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa,
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
Para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.

Joaquim Pessoa
, Amor Combate

No site esec-tomas-cabreira.rcts.pt

quarta-feira, 23 de março de 2011

Abaixo o mistério da poesia, José Régio

ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA

Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:

ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA

António Gedeão, Linhas de Força

no site esec-tomas-cabreira

terça-feira, 22 de março de 2011

Europa Acidental, poema

Europa Acidental

Europa acidental
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.

Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.

E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.

Europa acidental.

O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.


Joaquim Pessoa

no site astormentas.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Devolva me", Adriana Calcanhoto

Que canção linda ;
Já não ouvia a Adriana à alguns meses, e que saudades dos concertos dela.


Pelo que li está para sair um novo disco para breve depois do último Maré.
Podem ouvir aqui:
http://www.adrianacalcanhotto.com/index.php#
LN

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Um ano mais"; filme

A não perder este filme de Mike Leigh



Site AnteCinema ; Critica:"Um ano mais" -Mike Leigh - e a arte de fazer do nada tudo
Realização: Mike Leigh
Argumento: Mike Leigh
Com: David Bradley, Jim Broadbent, Lesley Manville e Ruth Sheen
Duração: 129 min.
Data de Estreia: 27/01/2011

Grande Filme; Uma história com emoções fortes , e muito bem filmado.

Mais um filme de grande qualidade.
LN

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dia Mundial de Luta contra o Cancro

Dia Mundial Contra o Cancro
Data: 4 Fevereiro 2011

Por iniciativa da União Internacional Contra o Cancro (uicc), celebra-se o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro neste dia. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o cancro é uma das principais causas de morte no mundo. Estima-se que a doença será responsável por 84 milhões de mortes entre 2005 e 2015

Visitar o site

POP - Portal da Oncologia Portugues

LN

sábado, 28 de agosto de 2010

Entre a luz e a sombra, Documentário

Belissima história de uma mulher que faz um trabalho fantástico no Brasil.
Para se perceber o que é hoje o Brasil, sem ser através de ficção das TVs brasileiras.

“Antes que Carandirú, a maior prisão da América Latina, fosse destruída, uma actriz dedicava-se a humanizar o sistema prisional e defendia a possibilidade de expressão artística dos presos.

No meio desse processo apaixonou-se pelo carismático e popular líder da dupla de rap 509 (de Carandirú) e promoveu os seus concertos fora da prisão. O documentário acompanha a vida destas personagens durante sete anos, a partir de 2000.”

do Site um pastel de Belém



LN

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Polémicas com o "De Rerum Natura"

Caro Sr. Eugénio Lisboa.

Por mais importante que o senhor seja para a Cultura e no meio universitário português , eu e julgo que milhões de outros cidadãos portugueses, desconhecemos a sua obra e o que faz.
Eu ao contrário do que o senhor faz com o recém falecido Saramago , não pretendo vir para a imprensa ou para um blog criticar o sr. Eugénio Lisboa quando o senhor morrer. Por uma questão de Educação e Respeito por as pessoas que lhe são próximas e o ademiram.
Se o quissesse criticar fálo-ia agora, sabendo que me pode insultar à sua vontade. Que lhe faça bom proveito.
Eu não o critico porque não o conheço e logo não tenho razões para o fazer.

Em termos políticos , o que escreve em relação à minha pessoa, não tem nada de acertado, considero que o que escreveu é de um primarismo básico anti-comunista.

Cada pessoa escolhe os seus modelos que mais o marcam, e têm as opções políticas que querem, é isso a Liberdade política que nos trouxe o 25 de Abril, a revolução que derrubou a ditadura fascista.

Há que respeitar quem tem opiniões diferentes das minhas, e que têm uma certa nostalgia pelo tempo da outra senhora. há quem prefira o Anónio Ferro, o próprio lá saberá porque razões tem essa admiração por esse homem do Estado Novo.

Já agora, que o presidente da cidade do Porto, o sr. Rui Rio se lembre também desta; uma Rua António Ferro que se cruze com a Rua Eugénio Lisboa na cidade do Porto, que desemboque na Praça Eng. Silva País , famoso director da Pide-DGS.

Cumprimentos, Luis Neves


NO BLOG RERUM NATURA ,
saiu o seguinte texto que se refere a mim, de forma muito pouco edificante , pelo que tive que lhes enviar uma resposta.


Ter ou não ter estado na Fonte Luminosa
“O Sr. Luís Neves tem todo o direito de não saber quem sou do mesmo modo que eu não sei quem ele é. Só sei o que dizem as palavras que ele escreve. E o que essas dizem é que lhe fazem muita impressão as pessoas que se associaram a Mário Soares na Fonte Luminosa para travarem a vinda para Portugal dos Torquemadas que vinham substituir os do Estado Novo. Cada um gosta do que gosta. Não vou perder tempo - nem seria elegante - a inventariar aqui os meus conhecidos créditos anti-fascistas. Mas é importante esclarecer uma coisa: para mim, mas não para o Sr. Neves, todas as perseguições ao pensamento livre são igualmente más. Nessa medida, Saramago era tão mau ou pior do que António Ferro - porque este, mau como era, ainda tinha aquele teor de má consciência que o levava a tentar dialogar com os adversários. Saramago pertencia ao grupo dos energúmenos de boa consciência - podia demitir, punir e castigar porque tinha a "história" a seu favor... Quanto à Fonte Luminosa, não estive lá porque não vivia em Portugal. Não tenho portanto a honra de poder dizer aos meus netos:"Eu estive lá". O outro prazer teria sido o de ter estado lá e não ter visto o Sr. Neves. Não se pode ter tudo...

Eugénio Lisboa”

P.S.: “Esta de se não poder criticar a conduta de Saramago, só porque ele morreu - é de cabo de esquadra. Por esta via, a história não poderia escrever-se, a não ser que fosse sistematicamente encomiástica. Por exemplo, não se poderia criticar os esclavagistas porque já estão mortos e seria deselegante... Os censores arranjam sempre as razões mais nobres para a repressão. Salazar e Staline liam pela mesma cartilha. Há fascistas que o são sem saberem. Ou sabem-no mas fingem que não sabem. Saramago, em 1975, cometeu um acto fascista e não há muito tempo disse não estar arrependido: hoje, faria o mesmo. Merece dar o nome a uma rua? Para as pessoas que dão valor ao civismo - NÃO!”

Estes velhotes embirram todos comigo porquê???
Luis Neves

quarta-feira, 21 de julho de 2010

1000 familias, exposição Amnistia Internacional em Lisboa - Belém




EXPOSIÇÃO "1000 FAMÍLIAS" - O álbum de família do Planeta Terra (de Uwe Ommer)

Lisboa vai receber 100 fotografias seleccionadas de entre milhares de negativos, representando o álbum de família do Planeta Terra, onde encontramos elementos da tribo Masai, agricultores que esperam chuvas na Síria, a família de um ímã de uma mesquita no Mali, plantadores de batatas na Colômbia e na Ucrânia, marinheiros de profissão no México ... Na vida de todas estas famílias, Uwe Ommer surgiu observando e assimilando os seus laços afectivos e as suas maneiras particulares de viver no nosso planeta, criando o que pode ser considerada uma verdadeira lufada de ar fresco de cariz sociológico, antropológico, mas sobretudo humanista.

Praça do Império – Museu da Marinha (Belém, Lisboa)
Exposição ao Ar Livre – Entrada Gratuita
Saiba mais em: www.1000familias.com
No Blog Até onde podemos chegar?

Foto 187 - Dakar, Senegal, 26 de Abril de 1997
Antigo mecânico de carros, Habdoul é agora o coordenador protocolar presidencial. Organiza a recepção dos convidados de Estado ao mínimo detalhe, desde o momento que chegam ao aeroporto até à sua partida. Na qualidade de Muçulmanos praticantes, dizem-nos: "Nós pregamos à unidade em África e no resto do mundo."


LN

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Moçambique ao Largo, Música

Reportagem - Invasão de campo no Chiado: «Se prometerem que dançam, a gente toca!»
Ver no Facebook




fotos do facebook

Canal do Festival ao Largo no Youtube
http://www.youtube.com/user/festivalaolargo

Concerto, Música Tradicional Moçambicana 28 Junho



«Composições como Xingwavilane interpretada pela Pérola Jaime e Xigogororo, de Eduardo Durão, resumem no geral o conteúdo da maioria das canções, que são caracterizadas pela intervenção social, criticando maus comportamentos, e apelando para o respeito pelas normas e costumes da comunidade.»

Foi muito bom!!!

LN

terça-feira, 22 de junho de 2010

As cidades de Calvino , Bauci

imagem no site Obvious


AS CIDADES E OS OLHOS
"BAUCI"


Depois de ter caminhado sete dias através de bosques, quem vai para Bauci não consegue vê-la e no entanto já lá chegou. São as finíssimas andas que se elevam do solo a grande distância umas das outras e se perdem acima das nuvens que sustêm a cidade. Sobe-se com escadotes. No chão os habitantes raramente se mostram: têm já tudo de que precisam lá em cima e preferem não descer. Nada da cidade toca o solo à excepção daquelas pernas compridíssimas de fenicóptero em que assenta e, nos dias luminosos, uma sombra perfurada e angulosa que se desenha na folhagem.

Três hipóteses se põem sobre os habitantes de Bauci: que odeiam a Terra; que a respeitam a ponto de evitar qualquer contacto; que a amam tal como ela era antes deles e com binóculos e telescópios apontados para baixo não se cansam de passá-la em resenha, folha a folha, pedra a pedra, formiga por formiga, contemplando fascinados a sua própria ausência.

Italo Calvino, As Cidades Invisíveis

no site OBVIOUS

LN

sábado, 19 de junho de 2010

"Nasce Afrodite", Pedro Barroso canta José Saramago



NASCE AFRODITE, NASCE O TEU CORPO
Poema muito bom...

MENINA DOS OLHOS D'ÁGUA - Pedro Barroso


Menina dos olhos de Água

Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar

menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo

aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

(música e letra de Pedro Barroso
in álbum "Cantos da borda d'água" 1985)

LN

sábado, 12 de junho de 2010

Exposição Viva a República 1910


SITE da Exposição http://vivarepublica.centenariorepublica.pt/expo/index.php/cronologia
LN