segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Banco Alimentar contra a fome - 28 e 29 Novembro

Banco Alimentar recolhe alimentos nos supermercados no fim-de-semana
O Banco Alimentar Contra a Fome organiza sábado e domingo uma nova campanha de recolha de alimentos em supermercados de 17 regiões do país, na maior acção de voluntariado organizada em Portugal.
Em 17 regiões do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Aveiro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria, Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu e Viana do Castelo), cerca de 25 mil voluntários vão estar à porta dos estabelecimentos comerciais a convidar os portugueses a doarem as suas contribuições em alimentos.
Segundo o Banco Alimentar Contra a Fome, leite, atum, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas e óleos são os produtos que devem ser privilegiados.
Os produtos recolhidos na campanha, ainda com recurso ao voluntariado, serão distribuídos de imediato localmente a pessoas com carências comprovadas através de mais de 1650 Instituições de Solidariedade Social previamente seleccionadas e acompanhadas ao longo de todo o ano pelos bancos alimentares.
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, disse à Agência Lusa que os alimentos que vão ser recolhidos na campanha vão complementar as recolhas feitas diariamente.
Além das campanhas de recolha em supermercados, organizadas duas vezes por ano, os Bancos Alimentares Contra a Fome recebem diariamente excedentes doados pela indústria agro-alimentar, agricultores, cadeias de distribuição e operadores dos mercados abastecedores.
Desta forma, são recuperados produtos alimentares que, de outro modo, teriam como destino provável a destruição, sendo estes excedentes recolhidos localmente e a nível nacional, de acordo com o Banco Alimentar Contra a Fome.
"Queremos que os alimentos sejam um meio para que as pessoas dêem uma volta à sua vida e possam reencontrar a dignidade e, no caso dos idosos, que possam minorar as suas carências alimentares", sublinhou Isabel Jonet.
De acordo com o Banco Alimentar Contra a Fome, na campanha de Maio foram recolhidos um total de 1935 toneladas de géneros alimentares em 1219 superfícies comerciais.
No ano passado, os 14 Bancos Alimentares Contra a Fome operacionais distribuíram um total de 17 500 toneladas de alimentos, equivalente a um valor global estimado superior a 27 352 milhões de euros).
O primeiro Banco Alimentar nasceu em 1992 e actualmente estão em actividade 17, congregados na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, com o objectivo comum de ajudar as pessoas carenciadas, pela doação e partilha.
O Banco Alimentar Contra a Fome organiza sábado e domingo uma nova campanha de recolha de alimentos em supermercados de 17 regiões do país, na maior acção de voluntariado organizada em Portugal.
Em 17 regiões do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Aveiro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria, Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu e Viana do Castelo), cerca de 25 mil voluntários vão estar à porta dos estabelecimentos comerciais a convidar os portugueses a doarem as suas contribuições em alimentos.
Segundo o Banco Alimentar Contra a Fome, leite, atum, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas e óleos são os produtos que devem ser privilegiados.
Os produtos recolhidos na campanha, ainda com recurso ao voluntariado, serão distribuídos de imediato localmente a pessoas com carências comprovadas através de mais de 1650 Instituições de Solidariedade Social previamente seleccionadas e acompanhadas ao longo de todo o ano pelos bancos alimentares.
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, disse à Agência Lusa que os alimentos que vão ser recolhidos na campanha vão complementar as recolhas feitas diariamente.
Além das campanhas de recolha em supermercados, organizadas duas vezes por ano, os Bancos Alimentares Contra a Fome recebem diariamente excedentes doados pela indústria agro-alimentar, agricultores, cadeias de distribuição e operadores dos mercados abastecedores.
Desta forma, são recuperados produtos alimentares que, de outro modo, teriam como destino provável a destruição, sendo estes excedentes recolhidos localmente e a nível nacional, de acordo com o Banco Alimentar Contra a Fome.
"Queremos que os alimentos sejam um meio para que as pessoas dêem uma volta à sua vida e possam reencontrar a dignidade e, no caso dos idosos, que possam minorar as suas carências alimentares", sublinhou Isabel Jonet.
De acordo com o Banco Alimentar Contra a Fome, na campanha de Maio foram recolhidos um total de 1935 toneladas de géneros alimentares em 1219 superfícies comerciais.
No ano passado, os 14 Bancos Alimentares Contra a Fome operacionais distribuíram um total de 17 500 toneladas de alimentos, equivalente a um valor global estimado superior a 27 352 milhões de euros).
O primeiro Banco Alimentar nasceu em 1992 e actualmente estão em actividade 17, congregados na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, com o objectivo comum de ajudar as pessoas carenciadas, pela doação e partilha.
na SIC online
ESTE BANCO É QUE SE TEM QUE AJUDAR - é um trabalho fantástico!!!
LN
Mentir e faltar à verdade
Mentir e faltar à verdade , Fernando Madrinha, Expresso, 21 Novembro 2008
" A palavra do ministro das Finanças é metade da credibilidade de um Governo. E se falha uma vez nunca mais se recupera. Para deixar a sua palavra em xeque, o ministro das Finanças não precisa de mentir. Basta que dê respostas viciadas como as que os ministros 'políticos' dão no Parlamento, ou em conversas com jornalistas.
Teixeira dos Santos ganhou a confiança do país, não só pelos resultados obtidos no combate ao défice, mas por parecer um ministro diferente.
Sempre falou claro e, aparentemente, com a intenção de esclarecer, sem truques nem malabarismos para iludir o povo ignaro que não domina o 'economês'. Sempre se apresentou com a atitude simples de um técnico seguro, antivedeta e anti-herói por natureza, cujos principais méritos políticos eram a humildade e o bom senso, valores que os políticos politiqueiros desprezam. O país olhava-o como uma pessoa de confiança e bem intencionada. Foi por isso que, apesar do desastroso balanço do seu mandato, culpou a crise e desculpou o ministro, encarando com naturalidade e agrado a sua permanência no segundo Governo de José Sócrates.
Teixeira dos Santos pode dizer que nunca mentiu a propósito do orçamento rectificativo. O que afirmou repetidas vezes foi apenas que a despesa estava controlada, pelo que não via necessidade de um orçamento suplementar - mesmo quando muitos economistas já falavam de um défice de oito por cento ou mais. Só que esta sua resposta, não sendo uma mentira declarada, era, como agora se percebeu, um manto diáfano para esconder a verdade. E é assim que, de um dia para o outro e pela boca do mesmo ministro das Finanças, o orçamento rectificativo passa de perfeitamente desnecessário a absolutamente indispensável.
O que fez Teixeira dos Santos, ou o que se prestou a fazer, foi omitir e adiar as más notícias sobre a situação real das finanças públicas com deliberada intenção e propósito eleitoralista. Não mentiu, mas também não disse a verdade. E, só por isso, o Governo, com menos de um mês de exercício, acaba de perder o ministro das Finanças, isto é, metade da sua credibilidade. "
"Quarenta anos bastam
O Governo e os economistas dizem que teremos mais um ano de desemprego galopante, se tudo correr pelo melhor. E correrá? Ninguém o pode garantir. A prometida reforma do capitalismo foi mero desabafo num momento de aflição e o sistema continua a funcionar praticamente nos moldes em que funcionava antes, com o capital financeiro livre para os mesmos vícios e desmandos que quase levaram o mundo à ruína.
Acresce, no caso português, um Estado pedinte e apertado pelo défice, além de empresas que foram muito rápidas no despedimento ao primeiro sinal de crise, mas que só voltarão a contratar quando a retoma estiver segura. Assim, dezenas de milhares de jovens à procura do primeiro emprego continuarão sem o encontrar em 2010. Isto enquanto trabalhadores mais velhos ainda activos sentem o posto de trabalho como uma canga, após 40 ou mais anos de labuta, e de bom grado dariam lugar aos jovens.
O aumento da esperança média de vida, conjugado com a diminuição da natalidade e a consequente redução das contribuições para a Segurança Social, força os Estados a retardarem cada vez mais a idade da reforma. Parece não haver alternativa. Mas quem trabalha desde os 15/16 anos e desconta para a reforma há mais de 40 não devia ser obrigado a esperar pelos 65 para ter direito à pensão por inteiro. Enfrenta uma situação de injustiça relativa perante os restantes cidadãos, visto que precisa de trabalhar mais anos para obter o mesmo direito. E ocupa, em muitos casos com duvidosa produtividade, postos de trabalho que estariam mais bem entregues a jovens que por eles anseiam.
Este tema do direito à reforma por inteiro após 40 anos de descontos anda na agenda política desde que o Bloco de Esquerda o introduziu, na anterior legislatura. O PCP retoma-o agora com outra iniciativa legislativa. Representa com certeza algum custo para o Estado, mas deve merecer uma atenção especial do Governo e dos partidos. Já porque abre espaço ao emprego para jovens e outros desempregados, já porque não é justo roubar-se o direito à velhice a quem, há muitos anos, a pobreza roubou o direito à juventude. "
"Corrupção e Justiça
Desde 1998, ano em que a Transparency International elaborou o seu primeiro índice sobre "percepções de corrupção", Portugal tem ocupado uma posição relativamente estável - entre 6.3 e 6.6 numa escala de zero a dez, sendo dez o melhor resultado possível. Só nos últimos dois anos caiu de forma significativa, ficando este ano abaixo dos seis pontos (5.8).
Para termos algumas referências, a Nova Zelândia está no topo com 9.4 e a Somália no fundo com 1.1, a Grécia fica-se pelos 3.8, a Itália pelos 4.3 e a Espanha está nos 6.1 - um pouco melhor do que Portugal, embora tenha caído mais do ano passado para este ano. Só que ali houve inúmeros condenados a penas de prisão e outras, decorrendo neste momento 730 investigações a políticos e agentes públicos por corrupção.
Quer dizer, a Espanha desce no índice, mas a própria Justiça espanhola confirma, pelos seus actos, a percepção dos analistas. Num país onde os processos são poucos e as condenações nenhumas, como é o caso de Portugal, o índice da Transparency é também um atestado de incompetência para a justiça portuguesa"
LN
" A palavra do ministro das Finanças é metade da credibilidade de um Governo. E se falha uma vez nunca mais se recupera. Para deixar a sua palavra em xeque, o ministro das Finanças não precisa de mentir. Basta que dê respostas viciadas como as que os ministros 'políticos' dão no Parlamento, ou em conversas com jornalistas.
Teixeira dos Santos ganhou a confiança do país, não só pelos resultados obtidos no combate ao défice, mas por parecer um ministro diferente.
Sempre falou claro e, aparentemente, com a intenção de esclarecer, sem truques nem malabarismos para iludir o povo ignaro que não domina o 'economês'. Sempre se apresentou com a atitude simples de um técnico seguro, antivedeta e anti-herói por natureza, cujos principais méritos políticos eram a humildade e o bom senso, valores que os políticos politiqueiros desprezam. O país olhava-o como uma pessoa de confiança e bem intencionada. Foi por isso que, apesar do desastroso balanço do seu mandato, culpou a crise e desculpou o ministro, encarando com naturalidade e agrado a sua permanência no segundo Governo de José Sócrates.
Teixeira dos Santos pode dizer que nunca mentiu a propósito do orçamento rectificativo. O que afirmou repetidas vezes foi apenas que a despesa estava controlada, pelo que não via necessidade de um orçamento suplementar - mesmo quando muitos economistas já falavam de um défice de oito por cento ou mais. Só que esta sua resposta, não sendo uma mentira declarada, era, como agora se percebeu, um manto diáfano para esconder a verdade. E é assim que, de um dia para o outro e pela boca do mesmo ministro das Finanças, o orçamento rectificativo passa de perfeitamente desnecessário a absolutamente indispensável.
O que fez Teixeira dos Santos, ou o que se prestou a fazer, foi omitir e adiar as más notícias sobre a situação real das finanças públicas com deliberada intenção e propósito eleitoralista. Não mentiu, mas também não disse a verdade. E, só por isso, o Governo, com menos de um mês de exercício, acaba de perder o ministro das Finanças, isto é, metade da sua credibilidade. "
"Quarenta anos bastam
O Governo e os economistas dizem que teremos mais um ano de desemprego galopante, se tudo correr pelo melhor. E correrá? Ninguém o pode garantir. A prometida reforma do capitalismo foi mero desabafo num momento de aflição e o sistema continua a funcionar praticamente nos moldes em que funcionava antes, com o capital financeiro livre para os mesmos vícios e desmandos que quase levaram o mundo à ruína.
Acresce, no caso português, um Estado pedinte e apertado pelo défice, além de empresas que foram muito rápidas no despedimento ao primeiro sinal de crise, mas que só voltarão a contratar quando a retoma estiver segura. Assim, dezenas de milhares de jovens à procura do primeiro emprego continuarão sem o encontrar em 2010. Isto enquanto trabalhadores mais velhos ainda activos sentem o posto de trabalho como uma canga, após 40 ou mais anos de labuta, e de bom grado dariam lugar aos jovens.
O aumento da esperança média de vida, conjugado com a diminuição da natalidade e a consequente redução das contribuições para a Segurança Social, força os Estados a retardarem cada vez mais a idade da reforma. Parece não haver alternativa. Mas quem trabalha desde os 15/16 anos e desconta para a reforma há mais de 40 não devia ser obrigado a esperar pelos 65 para ter direito à pensão por inteiro. Enfrenta uma situação de injustiça relativa perante os restantes cidadãos, visto que precisa de trabalhar mais anos para obter o mesmo direito. E ocupa, em muitos casos com duvidosa produtividade, postos de trabalho que estariam mais bem entregues a jovens que por eles anseiam.
Este tema do direito à reforma por inteiro após 40 anos de descontos anda na agenda política desde que o Bloco de Esquerda o introduziu, na anterior legislatura. O PCP retoma-o agora com outra iniciativa legislativa. Representa com certeza algum custo para o Estado, mas deve merecer uma atenção especial do Governo e dos partidos. Já porque abre espaço ao emprego para jovens e outros desempregados, já porque não é justo roubar-se o direito à velhice a quem, há muitos anos, a pobreza roubou o direito à juventude. "
"Corrupção e Justiça
Desde 1998, ano em que a Transparency International elaborou o seu primeiro índice sobre "percepções de corrupção", Portugal tem ocupado uma posição relativamente estável - entre 6.3 e 6.6 numa escala de zero a dez, sendo dez o melhor resultado possível. Só nos últimos dois anos caiu de forma significativa, ficando este ano abaixo dos seis pontos (5.8).
Para termos algumas referências, a Nova Zelândia está no topo com 9.4 e a Somália no fundo com 1.1, a Grécia fica-se pelos 3.8, a Itália pelos 4.3 e a Espanha está nos 6.1 - um pouco melhor do que Portugal, embora tenha caído mais do ano passado para este ano. Só que ali houve inúmeros condenados a penas de prisão e outras, decorrendo neste momento 730 investigações a políticos e agentes públicos por corrupção.
Quer dizer, a Espanha desce no índice, mas a própria Justiça espanhola confirma, pelos seus actos, a percepção dos analistas. Num país onde os processos são poucos e as condenações nenhumas, como é o caso de Portugal, o índice da Transparency é também um atestado de incompetência para a justiça portuguesa"
LN
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Capitalism : a love story
Sinopse:
Ao mesmo tempo com humor e coragem, Capitalism: A Love Story explora uma pergunta: "Qual o preço que a América tem de pagar pelo seu amor pelo capitalismo?" Há alguns anos esse amor parecia inocente. Hoje, no entanto, o Sonho Americano parece mais um pesadelo, quando as pessoas têm de pagar com os seus empregos, a suas casas e as suas poupanças. Moore leva-nos até às casas de gente normal, cujas vidas ficaram viradas do avesso, e vai à procura de explicações em Washington e outros locais. O que descobrimos tem os sintomas tão familiares de uma história de amor que deu para o torto: mentiras, abuso, traição…e 14,000 empregos perdidos todos os dias. Capitalism: A Love Story é não a derradeira tentativa de Michael Moore para responder à pergunta que tem andado a fazer ao longo da sua tão ilustre como controversa carreira: Quem somos nós e porque razão nos comportamos assim?
LN
Etiquetas:
Cinema,
Documentário,
Politica,
Videos
INFLUÊNCIA DO FUTURO?
Pediram-me do "Público" há algum tempo um depoimento sobre alguns artigos excêntricos segundo os quais haveria "influência do futuro" (sic) para impedir a produção das partículas de Higgs no LHC do CERN.
Os artigos são:
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Search for Effect of Influence from Future in Large Hadron Collider", arXiv:0707.1919 (July 2007).
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Test of Influence from Future in Large Hadron Collider; A Proposal", arXiv:0802.2991 (February 2008)
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Search for effect of influence from future in Large Hadron Collider", International Journal of Modern Physics A (IJMPA) do Imperial College de Londres, Vol. 23, Issue: 6 (10 March 2008), pags. 919-932, DOI No: 10.1142/S0217751X08039682
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Card game restriction in LHC can only be successful!", arXiv:0910.0359 (October 2009)
O meu comentário foi:
Eu sei que foi Niels Bohr que disse em resposta a uma teoria maluca de um seu colega: "A sua teoria é maluca, mas não sei se a sua teoria é suficientemente maluca para ser verdade". Mas a teoria proposta por Nielsen e Ninomiya ultrapassa todas as marcas da maluquice... Parece-me tão extraordinariamente maluca, que não pode ser verdade, como seria se fosse apenas moderadamente maluca! Basicamente os autores dizem que a Natureza por qualquer razão "não gosta" de partículas de Higgs e para evitar ajuntamentos delas, há sinais enviados para o passado de modo a evitar que eles apareçam. Pretendem assim explicar o cancelamento do superacelerador americano no Texas e, mais recentemente, a avaria do LHC no CERN, na Suíça. Propõem que se lancem cartas - não sei se estão a pensar nas do Tarot - para decidir se a experiência se realiza ou não e, realizando-se, durante quanto tempo e com que intensidade. Deste modo poderia haver interrupção do hipotético nexo causal do futuro para o passado. Einstein disse um dia que "Deus é subtil, mas não malicioso", querendo com isso dizer que não é fácil, mas é possível descobrir a harmonia do mundo. Eu acrescentaria que, se Nielsen e Ninomiya tivessem razão, Deus seria malicioso. Os físicos não têm razão nenhuma para acreditar em influências do futuro (isto é, em violações ou reversões do princípio da causalidade).
E ainda disse mais:
1) Pesem embora os méritos dos autores (o próprio Einstein também disse disparates, nomeadamente a princípio julgou que não havia Big Bang) julgo que só excepcionalmente artigos deste género podem ver a luz do dia numa revista com avaliação por pares. Eles aparecem com maior frequência em arquivos electrónicos porque é porque fácil propor em qualquer coisa e ainda é mais fácil publicar essa qualquer coisa na Net. Há até um novo jornal científico na Net, obviamente sem avaliação, que se intitula "Jornal de Artigos Recusados". O "peer review" é fundamental para o avanço da ciência e aqui não há ou, se o há, é muito rudimentar. Esse método é a maneira, como Carl Sagan disse, que temos de manter o cérebro aberto, sem que os "miolos nos caiam cá para fora".
2) O acelerador LHC do CERN vai funcionar ainda este ano. Claro que posso falhar esta previsão, mas parece-me uma previsão bem fundamentada, pois está muita gente a trabalhar com afinco para que assim seja. Agora brinco: Queira o futuro amontoado de Higgs ou não!
Carlos Fiolhais, INFLUÊNCIA DO FUTURO?: Blog De Rerum Natura
LN
Os artigos são:
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Search for Effect of Influence from Future in Large Hadron Collider", arXiv:0707.1919 (July 2007).
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Test of Influence from Future in Large Hadron Collider; A Proposal", arXiv:0802.2991 (February 2008)
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Search for effect of influence from future in Large Hadron Collider", International Journal of Modern Physics A (IJMPA) do Imperial College de Londres, Vol. 23, Issue: 6 (10 March 2008), pags. 919-932, DOI No: 10.1142/S0217751X08039682
- Holger B. Nielsen and Masao Ninomiya, "Card game restriction in LHC can only be successful!", arXiv:0910.0359 (October 2009)
O meu comentário foi:
Eu sei que foi Niels Bohr que disse em resposta a uma teoria maluca de um seu colega: "A sua teoria é maluca, mas não sei se a sua teoria é suficientemente maluca para ser verdade". Mas a teoria proposta por Nielsen e Ninomiya ultrapassa todas as marcas da maluquice... Parece-me tão extraordinariamente maluca, que não pode ser verdade, como seria se fosse apenas moderadamente maluca! Basicamente os autores dizem que a Natureza por qualquer razão "não gosta" de partículas de Higgs e para evitar ajuntamentos delas, há sinais enviados para o passado de modo a evitar que eles apareçam. Pretendem assim explicar o cancelamento do superacelerador americano no Texas e, mais recentemente, a avaria do LHC no CERN, na Suíça. Propõem que se lancem cartas - não sei se estão a pensar nas do Tarot - para decidir se a experiência se realiza ou não e, realizando-se, durante quanto tempo e com que intensidade. Deste modo poderia haver interrupção do hipotético nexo causal do futuro para o passado. Einstein disse um dia que "Deus é subtil, mas não malicioso", querendo com isso dizer que não é fácil, mas é possível descobrir a harmonia do mundo. Eu acrescentaria que, se Nielsen e Ninomiya tivessem razão, Deus seria malicioso. Os físicos não têm razão nenhuma para acreditar em influências do futuro (isto é, em violações ou reversões do princípio da causalidade).
E ainda disse mais:
1) Pesem embora os méritos dos autores (o próprio Einstein também disse disparates, nomeadamente a princípio julgou que não havia Big Bang) julgo que só excepcionalmente artigos deste género podem ver a luz do dia numa revista com avaliação por pares. Eles aparecem com maior frequência em arquivos electrónicos porque é porque fácil propor em qualquer coisa e ainda é mais fácil publicar essa qualquer coisa na Net. Há até um novo jornal científico na Net, obviamente sem avaliação, que se intitula "Jornal de Artigos Recusados". O "peer review" é fundamental para o avanço da ciência e aqui não há ou, se o há, é muito rudimentar. Esse método é a maneira, como Carl Sagan disse, que temos de manter o cérebro aberto, sem que os "miolos nos caiam cá para fora".
2) O acelerador LHC do CERN vai funcionar ainda este ano. Claro que posso falhar esta previsão, mas parece-me uma previsão bem fundamentada, pois está muita gente a trabalhar com afinco para que assim seja. Agora brinco: Queira o futuro amontoado de Higgs ou não!
Carlos Fiolhais, INFLUÊNCIA DO FUTURO?: Blog De Rerum Natura
LN
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Steiner
"George Steiner é uma espécie de Prometeu, aquele que rouba aos deuses (aos grandes criadores) o fogo sagrado que ilumina o mundo. Mas o seu furto é uma rebeldia ao contrário: é uma dádiva feita a quem é roubado e uma oferta a todos nós. No nosso hoje, amnésico e estéril, e, por isso, sem ontem nem amanhã, há poucos pensadores mais hostis do que ele aos modos do tempo, assumindo-se como a estátua do comendador que vem para estragar a festa e anunciar o fim.
A mais constante meditação deste poliglota inclina-se sobre a relação entre barbárie e cultura, o mal absoluto, a quebra do pacto entre a palavra e o mundo, o fim do sentido do sentido, a tradução como restituição, a morte da tragédia, o cansaço fundamental da nossa cultura, a crepusculização da nossa sensibilidade. E os seus combates são travados, com uma ira nem sempre isenta de ingenuidade, contra a uniformização linguística, a massificação cultural, a vulgaridade desumana, o fim do silêncio, a dessacralização da linguagem. "
José Manuel dos Santos, "Actual", Expresso, 21 Novembro
Ler no Expresso online
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/548414
LN
A mais constante meditação deste poliglota inclina-se sobre a relação entre barbárie e cultura, o mal absoluto, a quebra do pacto entre a palavra e o mundo, o fim do sentido do sentido, a tradução como restituição, a morte da tragédia, o cansaço fundamental da nossa cultura, a crepusculização da nossa sensibilidade. E os seus combates são travados, com uma ira nem sempre isenta de ingenuidade, contra a uniformização linguística, a massificação cultural, a vulgaridade desumana, o fim do silêncio, a dessacralização da linguagem. "
José Manuel dos Santos, "Actual", Expresso, 21 Novembro
Ler no Expresso online
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/548414
LN
Subscrever:
Mensagens (Atom)

