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terça-feira, 10 de abril de 2012

"Um Mundo assente no cuidado" - Maria Lurdes Pintassilgo



Antologia de textos de Maria de Lurdes Pintassilgo

"Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado "

Ver texto de apresentação; No site SN Pastoral da Cultura

http://www.snpcultura.org/antologia_textos_maria_lourdes_pintasilgo.html

Fundação "Cuidar o Futuro" -
http://www.fcuidarofuturo.com/

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sete lugares onde já encontrei Portugal 2

6. Coimbra

Eu tinha acabado de levantar-me de uma esplanada no Largo da Portagem, na Baixa, a metros do rio Mondego. Não me lembroque mês era, mas havia uma certa sensação de outubro, ou talvez fosse apenas eu. Havia alguma coisa que me empurrava os ombros em direcção ao chão. Sei exactamente o que era, mas prefiro não falar disso agora. Ainda não passou tempo suficiente. Havia alguma coisa que me vencia. As forças desapareciam-me dos braços e dissolviam-se no ar cinzento de Coimbra em outubro, ou talvez não fosse outubro, não interessa. Aqui, o que importa é que me tinha levantado de uma esplanada no Largo da Portagem. Sempre que caminho em Coimbra é como se avançasse por outro tempo, descubro pormenores da minha memória, do meu esquecimento. Aquilo que fui existe ainda em algum lugar. Estava assim, caminhava de mãos nos bolsos , quando percebi que, do lado do café Santa Cruz , chegava uma multidão de estudantes trajados. Enchiam a rua toda, eram milhares. O coro das suas vozes ficava preso entre as paredes. O espaço entre os andares mais altos de cada lado da rua era pequeno para libertar o clamor daquele monstro feito de muitas cabeças, muitas pernas, muitos olhos, muitas bocas cheias de dentes. Vinham na minha direção. Por instinto, encostei-me à parede. Eram como uma inundação que cobria tudo. Foi nesse momento , capas de estudantes a passarem por mim, colados a mim, a empurrarem-me às vezes, que vi Portugal no outro lado da rua. Tentava libertar-se dos estudantes, mas Portugal estava mesmo no meio da corrente. Eu conseguia perceber que as forças estavam a faltar-lhe. Já devia vir naquela luta desde longe. Gritei-lhe, acenei-lhe. As vozes dos estudantes não deixavam que ouvisse. Gritei-lhe mais, acenei-lhe com os dois braços. E Portugal ouviu-me. Olhou na minha direcção. Nesse instante, por se ter distraído, foi arrastado pelos estudantes ao longo de vários metros. Afastando-se, levado pela multidão, Portugal acenou-me também e, esticando o polegar e o mindinho, fez-me um gesto a pedir que lhe telefonásse.

José Luis Peixoto
Livro "Abraço"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sete lugares onde já encontrei Portugal

4. Sudoeste





Tinha ido com a Elsa. Supostamente, íamos ficar juntos e partilhar a minha pequena tenda. Eu confiava no poder da intimidade e fiquei muito decepcionado quando, uma ou duas horas após chegarmos, a Elsa conheceu o baixista de uma banda do palco secundário e desapareceu. Vi-a afastar-se, pensei em gritar o nome dela, chamá-la, mas não o fiz. Elsa era crescida e responsável pelas suas escolhas. Nessa noite , encontrei e perdi-me de diversos amigos que fui encontrando por acaso. Não era muito tarde quando procurei o caminho até à tenda, mas estava cansado. Perdi-me várias vezes no pó e na noite. Tropecei num casal de namorados, sentei-me a conversar com uns desconhecidos que me chamaram para resolver uma disputa e, por fim, cheguei à tenda. Dormi sem sonhar. De manhã, o sol. Queria continuar a dormir , mas o sol. Estendido sobre o saco-cama , transpirava. Sentia-me uma espécie de réptil, boca aberta e seca. A realidade parecia um delírio luminoso e desagradável, quente, mas era a realidade, não era delírio. Saí da tenda, uma brisa na pele, alívio. Agarrei na toalha e fui procurar os chuveiros. Na fila, cercado de despenteados, fiquei adormecido, dormente. E comecei a reconhecê-lo pelo cheiro. Despertei os sentidos para comprovar. Na fila, à minha frente, estava Portugal. Quando lhe toquei no ombro e me viu, disse: eeeeeeee. E abraçámo-nos em tronco nu. Riscámos a pele um do outro com o pó que estava colado e endurecido pelo ar da manhã. Portugal disse: então, pá? Encolhi os ombros e sorri. Nos chuveiros, ficámos ao lado um do outro. Portugal pôs-me um bocado de pasta de dentes no dedo porque me tinha esquecido da escova. Lavadinhos, fomos à tenda de Portugal. Era garrida, vermelha e verde. Um amigo de Portugal tinha ido a Amesterdão e fomos fazer-lhe companhia. Rimo-nos durante toda a tarde com ele. À noite, também nos rimos. Vimos o dia nascer ao som de techno minimal. Sentiamos o ritmo no estômago. Com a voz arrastada e as pálpebras pesadas sobre os olhos, Portugal dizia-me que estava apaixonado por uma rapariga chamada Luísa, que pouco lhe ligava. Enquanto isso, eu olhava para longe e pensava em algodão-doce.






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5. Facebook




Eu tinha perfil no facebook há dois ou três meses. Tinha sido o Alvim a dizer-me que precisava de entrar para o facebook, que não podia passar mais um dia sem criar um perfil no facebook. Já se sabe que o Alvim exagera. Um fósforo é um incendio, um sopro é um ciclone. Mas, com a autoridade de x milhares de amigos, convenceu-me. Fui recebendo os pedidos de amizade com calma e curiosidade. Colegas da escola primária que agora tinham filhos, viviam nos arredores de Londres e me escreviam com erros ortográficos; alunas de escolas secundárias que me enviavam «lol», «bjs» e mensagens a dizer que o mundo ia acabar; mulheres, mulheres; personagens estranhas inventadas por rapazes de catorze ou quinze anos; homens que publicavam livros de poesia com títulos onde entravam as palavras «alma» ou «momentos», reticências.




Foi no meio desses pedidos de amizade que recebi um de Portugal. Não o reconheci logo. Tinha uma fotografia que apenas lhe mostrava o tronco: calças de ganga, a parte de cima das cuecas, a barriga e a mão de Portugal a segurar a t-shirt, a outra mão esticada a tirar a fotografia. Escolhendo de modo aleatório, os comentários eram do género: Tina - sexy!!!; Paty - uiui!!!; Bomba Algarve - adiciona-me no msn; Carminho - sem palavras :P ; etc. Álem disso, tinha fotos em que aparecia sentado numa mota, ou com um cachecol do Benfica, ou numa festa de aniversário num barracão, ou a saltar para dentro de uma piscina, ou a comer mexilhões. No perfil própriamente dito, Portugal tinha mentido na idade, mais jovem. No «relationship status», tinha selecionado a opção «tell you later». Nos filmes preferidos, só tinha escolhido filmes de terror. Nos amigos principais, só tinha raparigas em biquini. Nos comentários, havia uma sucessão de mulheres a desejarem-lhe votos de bom fim-de-semana. Aceitei o pedido de amizade de Portugal , claro. Até hoje, pelo facebook, não trocámos mais do que duas ou três mensagens inconsequentes.

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6. Coimbra




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7. minha cama




Aconteceu uma só vez. Decidimos nunca mais repetir porque, tanto eu como Portugal tememos que pudesse estragar a nossa amizade. No dia seguinte, quando Portugal se foi embora, troquei os lençois e esfreguei-me com toda a força no duche. Eu e Portugal não falamos sobre isso. Se, por acaso, acontece lembrar-me, sou atravessado por um arrepio.





José Luis Peixoto



"Abraço"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Hino dos Mineiros de Aljustrel



Cantaram no Sábado dia 7 Janeiro em Lisboa , Teatro São Luis

Cantar os Reis no Alentejo

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya; Jorge de Sena



Mário Viegas diz Poema de Jorge de Sena
Carta a Meus Filhos Sobre os Fuzilamentos de Goya

quarta-feira, 29 de junho de 2011

750 anos do nascimento de D. Dinis

Em Odivelas , comemora-se os 750 anos de D. Dinis, com frases nas ruas do Rei Poeta.

sábado, 25 de junho de 2011

Ao São João

Como ouvi ontem esta música popular , A Marcha de São João ,
que se ouve em todos os Santos populares;

E que achei é completamente adequada ao momento....
O Povo lá sabe.... porque gosta tanto dela...

Para a mãe Celeste que fez +1 anito,
e pró sobrinho João,


São João Bonito
Marcha Popular

São João santo bonito, bem bonito que ele é
Bem bonito que ele é
Com os seus caracóis de oiro, e o seu cordeirinho ao pé
E o seu cordeirinho ao pé
Não há nenhum assim, pelo menos para mim
Nem mesmo São José


Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar


São João vem ver as moças, que bonitas que elas são
Que bonitas que elas são
São ainda mais bonitas, na noite de S. João
Na noite de S. João
Não escapa um só rapaz
O que é que o Santo lhes faz
Vai tudo no balão.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar


São João santo bonito, dos milagres sem igual
Dos milagres sem igual
Conserva a santa alegria, da gente de Portugal
Da gente de Portugal
Ouve a nossa canção, e livrai de todo o mal
Meu rico São João


Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar



Deixa-me reforçar o pedido ao São João para os próximos anos, a azul;

São João santo bonito, dos milagres sem igual
Dos milagres sem igual
Conserva a santa alegria, da gente de Portugal
Da gente de Portugal
Ouve a nossa canção, e livrai de todo o mal
Meu rico São João

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Jorge Semprúm

Morreu o escritor e político espanhol Jorge Semprún

(aos 87 anos)

08.06.2011 - Por Nuno Ribeiro, em Madrid

O escritor e político espanhol Jorge Semprún morreu ontem à noite, às 23h30, em Paris, vítima de doença degenerativa. Semprún, de 87 anos, estava há meses hospitalizado no hospital parisiense Georges Pompidou. Jorge Semprún sofreu os dramas do século XX: a Guerra Civil Espanhola, a ocupação nazi da Europa, a prisão no campo de concentração de Buchenwald, a militância e dissidência comunista.

Jorge Semprún em Lisboa, em 2004 (Pedro Cunha)

“Creio que Jorge Semprún viveu não como testemunha mas como protagonista os grandes tumultos históricos do século XX, lutou contra o fascismo, foi militante da resistência e teve a experiência atroz dos campos de concentração, viveu a ilusão comunista e as grandes fracturas do comunismo quando se revelaram os campos de concentração, Gulag, participou na tentativa da experiência euro comunista e foi purgado pelo comunismo estalinista”. É assim que, na edição de hoje do diário “El País”, Mário Vargas Llosa sintetiza o percurso vital de Semprún. Experiências no limite da vida que estão na origem do que alguns críticos definem como “literatura de memória”. A sua escrita e os relatos de uma vida.

Nascido em Madrid, em 10 de Dezembro de 1923, Semprún era neto do político conservador António Maura, que foi presidente do Governo sob o reinado de Alfonso XIII. Quando eclodiu a Guerra Civil Espanhola, Jorge Semprún e os irmãos foram para Haia onde o seu pai era embaixador da República Espanhola junto dos Países Baixos. Tempos narrados em “Adeus, luz de verões”. Após a vitória de Francisco Franco, a família instala-se em Paris. Com a ocupação nazi da Europa, Semprún adere à resistência e, em 1942, integra o PCE. Pouco tempo depois, é preso e deportado para o campo de concentração de Buchenwald, onde permanece dois anos até ao fim da II Guerra Mundial.

“Desapareceram as testemunhas do extermínio, ainda há mais velhos que eu, mas não são escritores”, dizia, em 2000, numa entrevista ao “El País”. E recordava. O odor a carne queimada. “Esse cheiro vai-se comigo como se foi com os outros”, dizia. Tentou que assim não fosse. Escreveu. Entre outros, “Viverei com o seu nome”.
Em 11 de Abril do ano passado, no 65º aniversário da libertação do campo de Buchenwald, fez a última visita ao campo de onde saiu vivo por milagre. Ou astúcia. Em vez de declarar ser estudante, afirmou ser estucador.

Em 1953, acede ao comité central do PCE. É Federico Sanchez, o seu nome de código no partido. Vive temporadas na capital espanhola na dura clandestinidade. Onze anos depois, em 1964, juntamente com Fernando Claudin, é expulso por discrepância com a linha oficial do PCE de Dolores Ibárruri, “La Passionária”, e Santiago Carrillo. Mais tarde, a literatura alivia-lhe o desencanto, quando escreve “Autobiografia de Federico Sanchez”.

“A Espanha foi pouco generosa com Semprún”, admitia, ontem, César António Molina, antigo ministro da Cultura de Rodriguez Zapatero. E assim foi. A heterodoxia de Semprún, o seu cosmopolitismo, sempre suscitou reparos na esquerda espanhola. Como os seus êxitos. E o seu empenhamento. Foi guionista de Alain Resnais, escreveu o guião de “Z” para Costa Gravas, trabalhou com Joseph Losey.

Houve um período de “namoro” com a política espanhola e o seu país. Entre 1988 e 91, foi ministro da Cultura na segunda legislatura de Felipe González. Quem o convidou para o cargo foi Javier Solana, então ministro daquela pasta. Viveu de perto os primeiros problemas de convivência do “felipismo”. E, como sempre, escreveu. “Federico Sanchez despede-se”, é o relato desses anos.

Jornal "Público" (8 Junho 2011)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Freud mora no 1º Esquerdo - Conhecer Miguel Bombarda -TSF

Hospital Miguel Bombarda
encerrou no Domingo

Um pouco da sua história contada na TSF

Ouvir aqui no LINK
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1849329

Reportagem na TSF
Um trabalho da jornalista Ana Catarina Santos



Foto no Blog De Rerum Natura



Link - De Rerum Natura: Sobre Miguel Bombarda

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Freud mora no 1º esquerdo: O Museu do Hospital

O Encerramento do Hospital Miguel Bombarda

Reportagem TSF

LINK AQUI: TSF: O Museu do Hospital


Um trabalho da jornalista Ana Catarina Santos

terça-feira, 17 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Freud Mora no 1º Esquerdo : Viver à margem do relógio e do calendário

O Encerramento do Hospital Miguel Bombarda
Domingo 15 Maio 2011

Ouvir Reportagem TSF
Link Aqui TSF: Viver à margem do relógio e do calendário


Um trabalho da jornalista Ana Catarina Santos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sermão Stº António aos peixes; Grandes Livros

Grandes Livros "Episodio 6" (Parte 1): "Sermão de Santo Antônio aos Peixes",
RTP


SERMÃO de Stº António aos peixes

Vos estis sal terrae. S. Mateus, V, l3.

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!

Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. «Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos.» Quem se atrevera a dizer tal cousa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.

Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.

Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o santo, mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos, como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina, que ardia naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água, António pregava e eles ouviam.

:):} Padre António Vieira

Ler AQUI - PASSEIWEB

segunda-feira, 2 de maio de 2011

25 Abril no Meco

Programa da TSF - Fim da rua



Fim da Rua: Aldeia do Meco, praia conquista de Abril

Um homem montado num tractor avisa que o nudismo foi uma conquista de Abril na Aldeia do Meco. Mais à frente, Domingos dos Petiscos diz que a fama da praia supera o brilho de Lisboa. Os repórteres Nuno Amaral e Mésicles Helin apanharam também a textura de sons debaixo de uma barreira de flores em aldeia de irmãos.


NO CAFÉ da rua principal da Aldeia de Irmãos , na estrada para Azeitão,
Precisamos de Um outro tempoUma outra Revolução, um Outro 25 de Abril, ....
Temos de ir inventar uma música nova, Uma nova Grandola ...

terça-feira, 29 de março de 2011

Souto Moura, premiado, uma grande honra para Portugal






PARABÉNS!!! SOUTO MOURA


Grande orgulho ter um Português com o prémio mais importante de arquitectura "Prémio Pritzker" (o 2º, o primeiro foi Siza Vieira)

Somos bons em algumas (poucas) coisas e não o sabemos.


A única obra que conheço é a Casa das Histórias de Cascais, (só vi por por fora, aquele edificio vermelho) e não gosto do edificio.

Mas isso sou eu que percebo muito pouco ou nada da Arte.



Obras emblemáticas de Souto Moura

Estádio do Sporting de Braga




Estação Metro Casa da Música, Porto


Casa das Histórias , Cascais

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Gamasutra , a infinita arte do gamanço"

O Kamasutra não seria a prenda mais apropriada para a presente quadra. Nem sequer seria oferta original. Se é para dar um presente
que seja algo que fale do gosto de nos darmos, da identidade de quem dá. Por isso, este Natal vou dar um livro que traduza a nossa
originalidade e que, sendo publicação recente, cedo rivalizará com o célebre livro sobre os prazeres do amor. A longa lista de tentadoras
posições sexuais do Kamasutra cedo ficará esquecida perante o rasgão criativo desta outra obra. Falo, é claro, do “Gamasutra, a infinita
arte do gamanço”. Um manual ilustrado sobre a roubalheira como modo de viver. Começo deste modo, fazendo paródia junto à fronteira
do solene e do sagrado. Não o faço gratuitamente. Tenho uma intenção. Entenderão ao lerem, se assim tiverem paciência. O melhor do
Natal é a festa, a família, a sugestão de um mundo solidário. O tempo do verbo terá que ser, no entanto, alterado: o melhor do Natal já
foi o Natal. Porque uma descarada subversão do espírito natalício foi convertendo em mercadoria e comércio aquilo que parecia ser
generosidade pura e simples: darmo-nos nós, como somos, e tornarmo-nos mais próximos dos outros. Se ressuscitasse hoje, Cristo não
teria que abordar apenas os vendilhões de um templo. O mundo inteiro é um bazar onde tudo se compra e se vende. Incluindo o
chamado espírito natalício.
Rectifico o início desta crónica: o melhor do Natal é o espírito do Natal. Esse espírito não resiste à manipulação oportunista que a
imagem de um simpático mas estafado Pai Natal, vestido com as cores da Coca Cola, apenas confirma a lógica de lucro a que nem os
mitos escaparam. Um dos piores tormentos dos novos tempos de Natal são as mensagens feitas a metro. Por via de email, de telefone
celular, as mensagenzinhas entopem as caixas de correio e obrigam-nos a um exercício penoso de as apagar às dúzias. Corro o risco de
ser ingrato. Mas eu peço aos meus amigos: não me enviem mensagens natalícias. Mandem-mas ao longo do ano, sobretudo, mandemnas
sem necessidade de data especial, com a originalidade e a graça que a verdadeira amizade requerem. A obrigação de trocar
mensagens com amigos é algo de nobre. Mas também aqui aconteceu a banalização. Fórmulas repetidas, clichés sem gosto, fizeram da
humana troca de emoções aquilo que os maus políticos fizeram ao discurso oficial: um desfile de frases feitas, em construção previsível,
vazio de ideias, incapaz de comunicar ou de comover o mais ingénuo dos cidadãos. Pediram-me há dias, num programa de televisão,
que formulasse um desejo para o nosso país. A dificuldade primeira é escolher um único desejo quando os votos que trazemos são
sempre múltiplos. Sentado ante a câmara de filmar demorei um tempo, navegando entre brumas e luzes. Acabei escolhendo uma meia
fórmula, optei pelo seguro. Fiz mal. Porque o que mais queria ter formulado era uma espécie de anti-voto. Ou seja, eu devia ter falado
daquilo que eu não queria que acontecesse. Seria o meu voto pela negativa. Disse o que todos dizemos: que o ano próximo seja um
momento de construção de riqueza. Mas de riqueza nacional. E não de uns poucos. A miséria é, infelizmente, fértil nesse paradoxo: em
vez de produzirmos riqueza, produzimos ricos. Antes fossem ricos. Porque são apenas endinheirados. E endinheirados que não
produzem. Faço aqui, pois, o voto pela via da negação: o que eu mais queria que deixássemos de ser. E escolho: que virássemos costas
ao roubo. Já não falo da prática generalizada que tomou conta das colunas dos jornais. Não falo apenas desse roubo que se estende dos
medicamentos, aos cabos de fibra óptica, dos passaportes ao carris de comboio, das condutas de combustível a painéis solares para
fontes de água. Não falo só do furto que causa milhões de dólares de prejuízo a companhias de electricidade, telefone e águas. E que
nos torna mais pobres a todos nós. Não falo sequer desse outro espantoso roubo que faz com que, na berma das estradas, se comece
por roubar os pertences dos sinistrados em lugar de lhes prestar socorro. Falo de outra roubalheira que se infiltrou no tutano do nosso
corpo enquanto nação: a ideia que roubar é legítimo por causa da pobreza. Ou por causa da escassez de tempo que o político tem por
mandato. Ou por causa de qualquer outra razão. Falo de outros níveis de roubo: o roubo da esperança pelos políticos, o roubo da
propriedade pública pelo gestor, o roubo da História e da memória por aqueles que se acham a geração de estreia nacional. Falo dessa
roubalheira que é a corrupção, lenta hemorragia que nos pede insidiosa habituação. Falo do roubo do pensamento crítico por aqueles
que fazem uso da ameaça velada, da censura subtil ou da arrogância e desprezo pelo debate aberto.

Numa palavra, o roubo no nosso
país já não é um simples somatório de casos policiais, uma onda crescente que se destaca de um mar são. O furto tornou-se numa
cultura, num sistema. Tornou-se regra. Somos hoje um país em permanente assalto a si mesmo. E nenhuma nação, por mais bem que
esteja no caminho do progresso, pode conviver com uma doença assim.

Mia Couto, in "Sábado, 01 Janeiro 2011"

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LN

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pintura Africana - Malangatana








MALANGATANA - Homenagem a um artista com um traço único.
As obras de Malangatana são automáticamente reconhecidas.
Acho que são muito bonitas.
Quentes como a sua África.
LN

sábado, 28 de agosto de 2010

Tudo o que é sólido dissolve-se no ar: o social na Colecção Berardo - Molduras - Antena 2, RTP

Tudo o que é sólido dissolve-se no ar: o social na Colecção Berardo - Molduras - Antena 2, RTP


"O Museu Colecção Berardo apresenta "Tudo o que é sólido dissolve-se no ar: o social na Colecção Berardo", um novo percurso pela Colecção Berardo. Comissariada por Miguel Amado, esta exposição reúne obras de cerca de 100 artistas representados na Colecção Berardo, noutros acervos portugueses ou convidados para o efeito que exploram problemáticas do quotidiano e, assim, enunciam uma crítica do real ou sugerem visões do mundo utópicas.

A exposição inspira-se numa passagem do Manifesto do Partido Comunista, redigido por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848, para equacionar o recente renascimento do primado do social na arte. De acordo com estes pensadores, "Tudo o que é sólido dissolve-se no ar", expressão que congrega um sentido de mudança na sociedade, processo que implica a substituição de uma ordem simbólica por outra. Assim, a "estética da recessão" gerada pela presente crise financeira global, mas que uma década marcada pela "condição precária" já prenunciara, chamou a atenção para as práticas socialmente comprometidas da arte moderna e contemporânea, o foco desta exposição."


LN